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Susana, Fagundes e Solano brilham em Amor à Vida

Novela viveu noite de alta voltagem: trama chega a momento crucial com show de atores, diálogos fortes, situações verossímeis, e direção impecável

Susana Vieira: Pilar descobre a traição do marido com a Secretária…

Como diria o saudoso Artur da Távola, talvez a mais notória influência na forma de ver TV e comentar desta redatora: ‘Não são nada agradáveis as verdades ditas e as situações vivenciadas esta noite na novela Amor à Vida mas como são profundas, apropriadas, críveis e emocionalmente fortes’.

Mateus Solano que nem vinho: melhor a cada capítulo…

No capítulo levado ao ar esta noite, um dos melhores de toda a trama até aqui, quando já ultrapassa os 100, tudo saiu no capricho, do texto prodigioso – passando pela magistral atuação dos atores e uma trilha sonora adequadíssima à vibração do capítulo -, à irretocável direção com direito a banho de fotografia e enquadramentos adequados.

Susana Vieira roubou a cena em momento crucial para a personagem Pilar…

A noite na telinha foi de Susana Vieira – que desenhou sua atuação da noite pontuando as emoções da personagem Pilar em várias nuances, todas muito bem adequadas à situação vivida e ao glorioso texto assinado por Walcyr Carrasco (que tem uma penca de exímios colaboradores) -; Antônio Fagundes – ator merecidamente consagrado nos palcos, na telona e na telinha; Mateus Solano – que consegue melhorar a cada nova situação impingida ao seu ardiloso personagem Félix; Vanessa Giácomo – aproveitando com gloriosa competência o papel de cínica supostamente apaixonada pelo patrão; e Bárbara Paz – ótima atriz ‘descoberta’ num reality show, de talento esmerado e inegável vocação.

Vanessa Giácomo agarra com destreza o papel da cínica interesseira…

E. como dizem os que bem entendem de audiovisual, se fazer um curta-metragem é difícil, fazer uma novela equivale a fazer um curta-metragem por dia. No caso do capítulo de hoje de Amor à Vida, foram tantos curtas quanto foram os intervalos – 4 ou 5 -, todos feitos com igual competência, singular habilidade e estrondosa capacidade de alcançar a empatia da audiência.

Um DEZ enormeeee e comovido ao show que foi acompanhar Amor à Vida esta noite. Um gol de teledramaturgia digno de lance de MESSI em dia de jogo difícil e com estádio lotado.

Susana Vieira compôs uma Pilar de fácil identificação e com as necessárias nuances emocionais. todas muito bem construídas: a mãe esmerada, a amiga compreensiva, a filha dedicada, a mulher rejeitada, a esposa compreensiva e apaixonada… trabalho que conta com o luxuoso auxílio do preparador de elenco Sérgio Penna (!!!).

Jorge Salomão vai levar Caetano e Gal à TV

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Jorge Salomão, o inquieto ativista da palavra, vai comandar programa de TV, no qual sua inteligência aguçada e a sagacidade de sua veia poética vão dar o tom… Saravá !

O ativista cultural, poeta e escritor Jorge Salomão embarca em mais uma nova empreitada – um projeto de programa de televisão: Jorge Salomão TV Show, de autoria do próprio.

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No programa, que por enquanto é exibido no site do Cine Santa Tereza e, também, sempre antes das exibições dos filmes, o artista declama poesias, fala de música e ainda recebe convidados.

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Jorge Salomão já tem seu dream team de entrevistados  para os próximos programas: Caetano Veloso, Sônia Braga, Thais Gulin – a namorada de Chico Buarque –, além da cantoramiga Gal Costa.https://i0.wp.com/www.bahianoticias.com.br/fotos/editor/Image/gal_costa_grammy.jpg

Além de todo esse agito, o hiperativo poeta ainda lançará dois livros, mês que vem: Estado de Pensamento, dedicado ao filho João, E Conversa de Mosquito, dedicado ao irmão querido, o saudoso poeta e multiartista Waly Salomão.

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Salve Jorge !

* Com informações de Anna Ramalho

GILBERTO BRAGA de VOLTA !

As ondas batem de mansinho em frente ao apartamento de Gilberto Braga, no Arpoador. Com esse barulhinho, ele escreve Insensato Coração, sua próxima novela em coautoria com Ricardo Linhares, que estreia dia 17 de janeiro na Globo. Porém, nem tudo até agora correu em velocidade de cruzeiro. Os dois protagonistas saíram com a produção em curso. De Ana Paula Arósio, ele fala secamente, mas para Fábio Assunção tem palavras doces. Agora que os problemas foram contornados e o céu parece de brigadeiro, Gilberto retomou o trabalho intenso e promete uma produção em que voltará a retratar a classe média, como fez em “Anos dourados” e “Anos rebeldes”. No ar também no canal Viva com “Vale tudo” (que escreveu com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères), um grande sucesso, ele afirma que pouco mudou em seu ofício desde 1988, quando criou a inesquecível Odete Roitman: “Como dizem meus amigos Titãs, o povo quer comida, diversão e arte.” Palavra de quem já está há anos reinando nessa praia.

Quais serão as principais marcas de Gilberto Braga em “Insensato Coração”? Devemos esperar vilãs espetaculares, festas memoráveis, enfim, o que você citaria?

GILBERTO BRAGA: Acho que a marca preponderante de “Insensato coração” é a minha volta à classe média, uma vertente que começou em “Dancin’ days” com a casa de Alberico (Mário Lago) e que eu desenvolvi mais em minisséries – “Anos dourados”, com as fofocas da Tijuca nos anos 50, e “Anos rebeldes”, com a casa do Damasceno (Geraldo Del Rey), pai de Maria Lúcia (Malu Mader). Assim, na espinha dorsal, temos em Florianópolis uma família em que há uma grande inveja de um personagem (Gabriel Braga Nunes) pelo irmão bem-sucedido (Eriberto Leão), num momento em que o casamento dos pais (Antônio Fagundes e Natália do Vale), juntos já há 35 anos, está em forte crise. O primeiro capítulo mostra uma comemoração desse aniversário de casamento que acaba virando uma grande lavação de roupa suja em família. No Rio, via Lázaro Ramos e Camila Pitanga, começa a parte glamourosa e com bastante comédia romântica. Deborah Secco defende a comédia, misturada a crítica social, com o personagem do Herson Capri, o banqueiro corrupto, que vai nos levar a falar de impunidade. Enfim, acho que a minha marca está lá, sim. E isso é curioso, porque eu nunca tive tantos coautores quanto nesta novela, sem contar com o parceiro maior, Ricardo Linhares. E o Dennis (Carvalho), depois de ler seis capítulos, disse que é “Gilberto Braga na veia”. Costumo opor em minhas novelas duas mulheres. Desta vez, pra variar, opus dois homens. O grande vilão é o personagem do Gabriel. A Glória Pires é uma vilã diferente, porque começa como boa moça, mas leva uma rasteira fortíssima e vai se vingar. Acredito que ela seja uma personagem muito forte.

Você estará no ar com duas novelas simultaneamente, “Insensato coração” e “Vale tudo”. Isso te faz pensar nas mudanças no panorama da audiência da televisão de lá para cá? Na época de “Paraíso tropical” você declarou que tinha uma expectativa em relação a números e ela se frustrou. Agora, está provado que isso não tinha nada a ver com a sua novela, era um patamar novo que tinha se estabelecido. O que você espera desta vez?

Minha cabeça é meio complicada. Acho que os números de “Paraíso” tinham razão de ser. O espectador não torcia pelo casal principal (Alessandra Negrini e Fábio Assunção). Espero que isso não se repita. Eriberto e Paola Oliveira estão formando um casal lindo, forte. Quanto às mudanças nos últimos 20 anos, acho que a televisão avançou, há mais concorrência, isso é ótimo para todos, especialmente para o espectador.

Gilberto Braga e o parceiro de novelas, Ricardo Linhares

Voltando a “Vale tudo”, o Brasil mudou muito de lá para cá, mas o que mudou para quem escreve novela? O que é impossível hoje com o politicamente correto e com a classificação indicativa? O politicamente correto te freia ou você não está nem aí para isso?

Para quem escreve novela acho que não mudou nada. Como dizem meus amigos Titãs, o povo quer comida, diversão e arte. Quanto ao politicamente correto, tento não pensar muito nisso, pra não pirar.

Mas, falando em “Vale tudo”, a que atribui a grande força que a novela mostra ter até hoje?

Apesar de estar tecnicamente ultrapassada por causa de iluminação etc., a história e os personagens são muito fortes, eu próprio me surpreendi vendo alguns capítulos. Não lembrava que a novela fosse tão interessante.

Gilberto Braga e uma das atrizes de seu “time”, Glória Pires

Você já declarou que gosta de trabalhar com sua turma de atores. Como ela é? Você cria personagens pensando num determinado ator? E agora como está fazendo para se inspirar de novo para os postos que eram de Ana Paula Arósio e Fábio Assunção?

Continuo com minha turma, escrevo para eles. Os dois saíram, tento me adaptar a Paola e Gabriel Braga Nunes, que estão ótimos, e com certeza vão entrar pra minha turma pra sempre. Já estamos escrevendo os novos capítulos pensando neles.

De que maneira os acontecimentos envolvendo os dois atores impactaram na novela – objetivamente – e como você pessoalmente sente isso tudo? Fica magoado? Ou consegue ver com frieza profissional?

Não comento esse assunto. A (Ana Paula) Arósio para não ser descortês com ela. E o Fábio por motivos óbvios. É um grande amigo, é como um filho, não vou falar publicamente dessa relação. Inclusive porque acho a vida mais importante do que o trabalho.

Fábio Assunção e Gilberto Braga: amizade de muitas décadas

Depois de ter enfrentado dificuldades com Fábio Assunção em “Paraíso tropical” e agora novamente, voltaria a trabalhar com ele?

Claro que sim, espero muito escrever pro Fábio o protagonista da minha próxima novela. Além de amigo, ele é um ator esplêndido.

* Texto e entrevista de PATRÍCIA KOGUT, publicada no jornal O GLOBO