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A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

LIXO EXTRAORDINÁRIO Disputa Indicação ao Oscar

O documentário Lixo Extraordinário (Waste Land), co-produzido pela O2 Filmes e pela produtora inglesa Almega Projects, está entre 15 selecionados para concorrer ao Oscar de melhor documentário longa-metragem.

Com direção conjunta de João Jardim (Janela da Alma e Pro Dia Nascer Feliz), da cineasta Karen Harley e da documentarista inglesa Lucy Walker, Lixo Extraordinário deve estrear em fevereiro de 2011. 

No Brasil, filme teve sua première no III Festival Paulínia de Cinema, sendo aplaudido de pé e levou prêmios Especial do Júri e do Público. Lixo Extraordinário também foi exibido em sessões hours concours no Festival do Rio e na Mostra São Paulo.

No Festival de Berlim, Lixo Extraordinário foi eleito pelo público como Melhor Documentário na Mostra Panorama e também venceu o prêmio da organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI), junto com o filme Son of Babylon

Lixo Extraordinário teve sua premiere mundial no Festival Sundance em janeiro deste ano, e arrematou o prêmio do público de Melhor Documentário Internacional. O filme já acumulou vários outros prêmios participando de mais de 15 festivais nacionais e internacionais.

O documentário relata a trajetória do lixo dispensado no Jardim Gramacho, maior aterro sanitário da América Latina localizado na periferia de Duque de Caxias (RJ), até ser transformado em arte pelas mãos do artista plástico Vik Muniz e seguir para prestigiadas casas de leilões internacionais. Obras que, muitas vezes, retornam ao Rio para compor as paredes da alta sociedade carioca. 

O documentário tem produção de Hank Levine e produção executiva de Fernando Meirelles e Andrea Barata Ribeiro. Trailer oficial para download: http://www.sendspace.com/file/wl2z25

 FICHA TÉCNICA 

Direção: Lucy Walker

Codireção: João Jardim, Karen Harley

Produção: Angus Aynsley, Hank Levine

Coprodução: Peter Martin

Produção Executiva: Fernando Meirelles, Miel de Botton Aynsley, Andrea Barata Ribeiro, Jackie de Botton

Música: Moby

Edição: Pedro Kos

Direção de Fotografia: Dudu Miranda

Codireção de Fotografia: Heloisa Passos, Aaron Phillips

Mixagem de Som: Aloysio Compasso, José Lozeiro

Distribuição: Downtown Filmes

Duração: 90 minutos

Ano de produção: 2009 

PATROCÍNIO  

BB Seguro Auto, Ourocap, Eletrobrás

Viabilizado pela Lei do Incentivo ao Audiovisual (Art. 1º A) 

Este filme foi selecionado pelo Programa Petrobras Cultural.

 PRÊMIOS E PARTICIPAÇÕES EM FESTIVAIS INTERNACIONAIS:

 SUNDANCE – Janeiro 2010

Prêmio do Público de Melhor Documentário Internacional

FESTIVAL DE BERLIM – Fevereiro 2010   

Prêmio da Anistia Internacional (AI)

Prêmio de Melhor Documentário – Mostra Panorama  

FESTIVAL TRUE/ FALSE (EUA) – Março 2010 

Seleção oficial

FULL FRAME DOCUMENTARY FESTIVAL (EUA) – Abril 2010  

Prêmio do Público de Melhor Documentário 

DALLAS INTERNACIONAL FILM FESTIVAL (EUA) – Março 2010       

Prêmio Target Film Maker – Melhor Documentário 

HOT DOCS (CANADA) – Maio 2010

Entre os 10 favoritos do público 

PROVINCETOWN INTERNATIONAL FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010 

Prêmio HBO do Público – Melhor Documentário  

SEATTLE FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio Golden Space Needle – Melhor Documentário  

MAUI FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio do Público de Melhor Documentário Internacional

 

FESTIVAL DE PAULÍNIA (SP) – Julho 2010
Prêmio do Público de Melhor Documentário
Prêmio Especial do Júri

 

DURBAN INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – Agosto 2010
Prêmio de Melhor Documentário
Prêmio do Público de Melhor Filme
Prêmio da Anistia Internacional (AI)

ECOFOCUS FILM FESTIVAL – Outubro 2010
Prêmio do Público de Melhor Longa-Metragem Documentário

TRINIDAD E TOBAGO FILM FESTIVAL – Outubro 2010
Prêmio do Público de Melhor Documentário

 

FLAGSTAFF MOUNTAIN FILM FESTIVAL – Outubro 2010
Prêmio do Juri

VANCOUVER INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – Outubro 2010
Rogers People’s Choice Award

SÃO PAULO INTERNACIONAL FILM FESTIVAL – Novembro 2010

Prêmio Itamaraty de Melhor Documentário 

AMAZONAS FILM FESTIVAL – Novembro 2010

Prêmio Especial do Júri 

BIOGRAFIAS DOS DIRETORES:

Lucy Walker

Lucy Walker usa técnicas da dramaturgia para fazer documentários, buscando personagens memoráveis em mundos que, outrora, seriam completamente fechados a ela. Além de Lixo Extraordinário, Lucy Walker dirigiu outro documentário que estreou no Festival de Sundance, 2010: Countdown to zero, um filme aterrorizante sobre a atual ameaça de terrorismo e proliferação nuclear.

Seu filme anterior, Blindsight, estreou em Toronto e recebeu prêmios do público na Berlinale – Panorama Publikumspreis, Ghent, AFI e festival de Palm Spring, e indicações de Melhor Documentário no Grierson Awards 2007 e no British Independent Film Awards. Blindsight segue a jornada emocional de seis adolescentes tibetanos cegos que escalam o lado norte do Monte Everest com o seu herói, o alpinista cego americano Erik Weihenmeyer, e com o professor Sabriye Tenberken, que fundou a Braille Sem Fronteiras, a única escola para cegos no Tibete.

O primeiro documentário de Lucy Walker, Devil’s Playground, analisou as lutas dos adolescentes Amish durante o período de experimentação (rumspringa). O filme estreou em 2002 no Festival de Sundance e ganhou prêmios no Karlovy Vary e festival de Sarasota, além de três indicações ao Emmy como Melhor Documentário, Melhor Diretor e Melhor Edição, e a indicação de Melhor Documentário no Independent Spirit Award.

Lucy Walker dirigiu a série da Nickelodeon Blue’s Clues, pela qual foi indicada duas vezes para o Emmy de Melhor Direção de Programa Infantil. A diretora também ganhou vários prêmios por seus curtas-metragens.

Walker cresceu em Londres, na Inglaterra, onde fez seus primeiros trabalhos como diretora, dirigindo peças na escola. Durante a faculdade, na Universidade de Oxford, ela seguiu o mesmo caminho e suas peças ganharam prestigiosos prêmios da Oxford University Dramatic Society. Após graduar-se com um Bachelor of Arts (BA) Hons e um Master of Arts (MA) Oxon em Literatura, ela ganhou uma bolsa Fulbright para participar da New York University’s Graduate Film Program, onde ganhou seu Master of Fine Arts (MFA). Enquanto estava na NYU, ela trabalhou como DJ, período no qual ela conheceu Moby, responsável pela música de Lixo Extraordinário.

João Jardim

Nascido em 1964, no Rio de Janeiro, João Jardim, formou-se em Jornalismo pela Faculdade da Cidade e estudou cinema na Universidade de Nova Iorque. No início da sua carreira trabalhou como assistente de direção nos longas Faca de Dois Gumes, de Murilo Salles, Dias Melhores Virão, de Cacá Diegues, e Moon Over Parador, de Paul Mazursky. Na TV Globo, na década de 90, integrou o núcleo do diretor Carlos Manga, atuando como editor das minisséries Memorial de Maria Moura e Agosto e como diretor de Engraçadinha. Ainda para a tevê, dirigiu os documentários Free Tibet e Terra Brasil – este último premiado no Festival de Televisão de Nova Iorque – e editou João e Antônio, especial com Tom Jobim e João Gilberto e a série Caetano Veloso, 50 Anos, de Walter Salles. Entre outros trabalhos como editor destaca-se o documentário 1930, Tempo de Revolução, de Eduardo Escorel.

 O primeiro longa-metragem de João Jardim, Janela da Alma,(2002) em parceria com Walter Carvalho, surpreendeu a todos por sua temática incomum: a visão. O documentário se tornou o oitavo lugar daquele ano nas bilheterias brasileiras, ficando em cartaz por 48 semanas – um recorde em se tratando de documentários. O diretor ainda levou para casa oito prêmios, entre eles os de Melhor Documentário da Academia Brasileira de Cinema, da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e dos festivais internacionais Message to Men (Rússia) e Ecocinema (Grécia).

Quatro anos mais tarde, João Jardim repetia o sucesso de público e crítica com Pro Dia Nascer Feliz,(2006) agraciado com dez prêmios – incluindo três de Melhor Documentário na Mostra de São Paulo (júris oficial, popular e da juventude) e três entre os mais importantes do Festival de Gramado: dois de Melhor Filme (crítica e júri popular) além do Prêmio Especial do Júri.

Nos últimos anos João dirigiu alguns episódios da série de Por toda a minha vida,para a TV Globo, sobre Nara Leão, Elis Regina, Raul Seixas e Dolores Duran. Os programas sobre Elis e Nara Leão foram ambos indicados ao Prêmio Emmy Internacional respectivamente em 2007 e 2008 na categoria Melhor Programa de Arte. Atualmente finaliza o longa-metragem Amor?, sobre relações afetivas que envolvem violência.

Karen Harley

Karen Harley dirigiu vários documentários curta-metragens sobre artistas brasileiros como Ernesto Neto, Nós pescando o Tempo; um retrato biográfico do artista Leonilson intitulado Com o oceano inteiro para nadar (Melhor Filme no Festival do Rio );  Comfundo, sobre Marcos Chaves; Estudo em Branco sobre obra de Enrica Bernardeli.

Como editora, Karen trabalhou com uma vasta gama de cineastas, incluindo Cacá Diegues em Tieta e Fábio Barreto em O Quatrilho, que recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1995. Com Mika Kaurismaki, Karen editou Moro no Brasil (2002), Honey Baby (2003) e Brasileirinho (2005).

Em 2001, Karen trabalhou com os diretores João Jardim e Walter Carvalho no premiado Janela da alma. Em 2005 montou Cinema, Aspirinas e Urubus, do diretor Marcelo Gomes, que estreou na Mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes. O filme ganhou mais de 30 prêmios, incluindo o de Melhor Montagem na Academia Brasileira de Cinema.  O Baixio das Bestas, de Cláudio Assis ganhou o Tiger Award de Melhor Filme no Festival de Rotterdam em 2007. A Festa da Menina Morta, do diretor estreante Matheus Nachtergaele, foi apresentado no Festival de Cannes de 2008. Mais recentemente, em 2009, ela montou Viajo porque preciso, volto porque te amo de Karim Ainouz e Marcelo Gomes, que foi lançado na Mostra Orizzonti, Festival de Veneza, e foi premiado como Melhor Filme no Festival de Cinema de Cuba, Melhor Filme em Santa Maria da Feira, Portugal, Melhor Filme no Festival de Toulouse.

Lixo Extraordinário é o primeiro longa-metragem de Karen Harley como diretora.

RIO TERÁ NOVO MUSEU DE ARTE

Um palacete de 1916 na zona portuária do Rio será restaurado e ligado a um edifício modernista para abrigar o MAR (Museu de Arte do Rio).

Lançado ontem, 1º de junho, o projeto de R$ 43 milhões é uma das ações para revitalizar a região, no centro da cidade, e deve ser concluído em 2012.

Teleféricos devem ligar o novo museu ao Morro da Conceição, no centro da capital. Não se trata de uma favela, mas de um bairro antigo de classe média baixa, marco da ocupação na região central do Rio.

Na praça Mauá, vizinha ao morro, o Museu de Arte do Rio vai ocupar o Palacete Dom João VI (construído em 1916 e tombado no ano 2000) e o prédio vizinho (modernista), onde atualmente estão o Hospital da Polícia Civil e o terminal rodoviário Mariano Procópio.

Os edifícios serão ligados por duas passarelas translúcidas, e a visitação será feita de cima para baixo.

  Divulgação  
Teleférico deve ligar morro a novo museu de arte no Rio
Projeto do MAR: teleférico ligará morro ao museu

No alto do prédio modernista, uma cobertura “fluida, extremamente leve”, segundo os arquitetos Paulo Jacobsen e Thiago Bernardes, deve imitar as ondas do mar. Também no alto, haverá uma praça suspensa com bar.

Ao todo, o MAR terá 8.500 metros quadrados. O Palacete Dom João VI vai abrigar as exposições do museu, cuja curadoria será de Leonel Kaz.

Já o edifício modernista vizinho será sede da Escola do Olhar, com salas de aula. Entre os colaboradores que definem o conteúdo, estão o artista plástico Vik Muniz e o diretor de arte Gringo Cardia.

Olhar sobre Vik Muniz Dá Prêmio ao Brasil em Berlim

O Doc Lixo Extraordinário (Waste Land), co-produção Brasil e Reino Unido exibida na seção Panorama do Festival de Berlim, ganhou os prêmios do público e da Anistia Internacional (AI).
 

Dirigido por Lucy Walker e com 99 minutos de duração, o filme mostra trabalho desenvolvido pelo artista plástico brasileiro Vik Muniz com catadores de lixo do Jardim Gramacho, bairro do município fluminense de Duque de Caxias.  

 foi

O filme (Vik em foto de Camila Girardelli) foi o mais votado pelo público presente às projeções da seção Panorama. O prêmio será entregue amanhã, Dia do Espectador, fechando o Festival de Berlim. Além disso, Lixo Extraordinário recebeu neste sábado o prêmio da Anistia Internacional junto com a produção palestino-egípcia Son of Babylon, dirigida por Mohammed Al-Daradji.
 

VIK MUNIZ: trabalho reconhecido chega em breve aos cinemas

Após receber o prêmio da AI, Walker disse à Agência Efe que os catadores de lixo são pessoas “dignas, valentes e inspiradoras” e afirmou se sentir “muito feliz” pelo fato de que o prêmio vai permitir que mais espectadores os conheçam. Segundo a cineasta, é uma “honra” que seu documentário, também premiado no último festival de Sundance, sirva para explicar “ao mundo” a vida dessas pessoas.
 

Walker insistiu na importância da reciclagem do lixo afirmando que “cada ação individual conta e é importante” e assegurou que trazer seu documentário para Berlim e conquistar um prêmio “foi um sonho”. O júri do prêmio da Anistia Internacional destacou o grande valor e compromisso político e social tanto de Lixo Extraordinário como de Son of Babylon.
 

Son of Babylon é um road-movie que narra com humor a situação no Iraque semanas depois da queda do regime de Saddam Hussein. A história é contada a partir do ponto de vista de um menino curdo que percorre o norte do país em busca do pai. Os prêmios do júri internacional do Festival de Berlim, presidido pelo diretor alemão Werner Herzog, serão divulgados esta noite durante a festa de encerramento.