Arquivo da tag: Villa-Lobos

Abertas inscrições ao Festival de Brasília

 Setembro é o mês do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Segundo o Secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, o festival manterá as mudanças realizadas em 2011, como o fim do critério do ineditismo, a incorporação do formato digital na mostra competitiva, a descentralização das exibições e a elevação do valor do prêmio. E serão feitas mais alterações: criação de uma mostra competitiva específica para o gênero do documentário – em longa e curta-metragem –, inclusão da cidade do Gama no projeto Festival nas Satélites, transferência das exibições para as salas Villa-Lobos e Martins Penna do Teatro Nacional, e mudança no perfil da Mostra Brasília, que agora ficará sob a responsabilidade da Câmara Legislativa.

Já o coordenador do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Sérgio Fidalgo, destaca que, com a inclusão da categoria de documentário, espera-se um volume maior de inscrições, portanto, as comissões de seleção trabalharão dez dias e não cinco, como em 2011. Serão cinco integrantes na comissão de curtas e longas de documentário, e cinco para curtas e longas de ficção.

Sérgio Fidalgo e Cibele Amaral, assessora de cinema da Secretaria de Cultura do GDF, também avisaram que pretendem marcar a 45ª como uma edição festiva. Para tanto, já anunciam o lançamento do catálogo Brasília 5.2 – Cinema e Memória, que vem sendo escrito pela pesquisadora Berê Bahia e inclui 12 mostras que irão circular pelo DF, de junho a setembro. E a realização de uma oficina de roteiro para séries televisivas contando com a presença dos escritores Marçal Aquino e Adriana Falcão.

PROGRAMAÇÃO GERAL

Mostras competitivas de filmes de longa-metragem de ficção e de documentário, filmes de curta-metragem de ficção, de documentário e de animação, além de mostras paralelas, tais como Mostra Brasília, Mostra Panorama Brasil, Festivalzinho e, ainda encontros, debates, seminários, oficinas, Cinema Voador, Festival nas cidades do Distrito Federal, lançamentos de catálogos, livros e DVDs e solenidades de abertura e de premiação.

Debate sobre séries de TV, com Marçal Aquino (Força Tarefa); Adriana Falcão (Louco por elas) e Túlio Gonçalo – crítico, roteirista, cineasta e professor no IESB (Mediador).

Debate com as equipes dos filmes concorrentes.

Seminário sobre a Crítica Cinematográfica.

Oficina de Interpretação para Câmera – com o ator libanês Mounir Maasri – para atores profissionais

Oficina Interpretação para iniciantes  – com Mallu Moraes

PRÊMIOS

Troféu Candango e prêmios em dinheiro: R$ 635.000,00

Filme de longa-metragem de ficção:

Melhor filme – R$ 250.000,00
Melhor direção – R$ 20.000,00
Melhor ator – R$ 5.000,00
Melhor atriz – R$ 5.000,00
Melhor ator coadjuvante – R$ 3.000,00
Melhor atriz coadjuvante – R$ 3.000,00
Melhor roteiro – R$ 5.000,00
Melhor fotografia – R$ 5.000,00
Melhor direção de arte – R$ 5.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 5.000,00
Melhor som – R$ 5.000,00
Melhor montagem – R$ 5.000,00

Filme de longa-metragem documentário:

Melhor filme de longa-metragem de documentário – R$100.000,00
Melhor direção – R$ 20.000,00
Melhor fotografia – R$ 5.000,00
Melhor direção de arte – R$ 5.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 5.000,00
Melhor som – R$ 5.000,00
Melhor montagem – R$ 5.000,00

Filme de curta-metragem de ficção:

Melhor filme – R$ 20.000,00
Melhor direção – R$ 5.000,00
Melhor ator – R$ 3.000,00
Melhor atriz – R$ 3.000,00
Melhor roteiro – R$ 3.000,00
Melhor fotografia – R$ 3.000,00
Melhor direção de arte – R$ 3.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 3.000,00
Melhor som – R$ 3.000,00
Melhor montagem – R$ 3.000,00

Filme de curta-metragem de documentário:

Melhor documentário de curta-metragem – R$ 20.000,00
Melhor direção – R$ 5.000,00
Melhor fotografia – R$ 3.000,00
Melhor direção de arte – R$ 3.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 3.000,00
Melhor som – R$ 3.000,00
Melhor montagem – R$ 3.000,00

Filme de curta metragem de Animação:

Melhor filme de curta-metragem de animação – R$ 20.000,00

Prêmio do Júri Popular: total R$ 65.000,00

Melhor filme de longa-metragem de ficção – R$ 20.000,00
Melhor filme de longa-metragem documentário – R$ 15.000,00
Melhor filme de curta-metragem de ficção – R$ 10.000,00
Melhor filme de curta-metragem de documentário – R$ 10.000,00
Melhor filme de curta-metragem de Animação – R$ 10.000,00

O Festival de Brasília acontecerá de 17 a 24 de setembro, e as inscrições podem ser feitas até 30 de junho. www.festbrasilia.com.br

Jovens de Heliópolis Tocam em Berlim

A melodia melancólica de Villa-Lobos soa pela sala enquanto, pela janela, a neblina da manhã de quarta-feira se dissipa e revela a paisagem a perder de vista de uma das maiores favelas da América Latina. A mesma música, no entanto, espanta qualquer tendência à tristeza ? pouco antes, os cerca de 70 músicos da Sinfônica de Heliópolis ofereciam uma bela interpretação da Sinfonia nº 8 de Beethoven. A plateia, no entanto, era especial: músicos da Filarmônica de Berlim e a diretora do Festival Beethoven, de Bonn. Vieram acompanhar o trabalho da orquestra e acertar os detalhes da viagem que o grupo fará em outubro para a Alemanha, onde vai tocar Beethoven, Villa-Lobos, Tchaikovsky e André Mehmari em uma série de concertos. “São tantas as lições que um projeto como esse nos dá! É um futuro que está sendo construído”, diz Ilona Schmiel, chefe do festival.

Parte mais visível das atividades do Instituto Baccarelli, que há décadas trabalha com crianças carentes na favela de Heliópolis, a sinfônica será tema também de um documentário da Deutsche Welle, parceira do Festival Beethoven e responsável pela turnê do grupo por cidades como Berlim, Munique e Dresden. Desde o começo dos anos 2000, o canal tem corrido o mundo em busca de orquestras jovens para levar à Alemanha.        

Não é um fenômeno isolado. Da mesma forma, nos últimos anos, o projeto venezuelano conhecido como El Sistema tornou-se x,,odó mundial, com suas orquestras e músicos viajando pela Europa e pelos Estados Unidos. Em março, o projeto 2 de Julho, cria do sistema venezuelano na Bahia, recebeu uma delegação de alunos e professores da Juilliard School of Music, de Nova York, que passaram duas semanas em Salvador trabalhando com as crianças comandadas pelo pianista e maestro Ricardo Castro. Se não são novidade, projetos sociais ligados à música clássica definitivamente viraram febre.

Realidades. “Música é emoção e emoção é o ponto de partida para a transformação”, diz Gero Schliess, diretor de Programação e Promoção da Deutsche Welle, que esteve em São Paulo esta semana acompanhando o trabalho dos jovens de Heliópolis. “Projetos como esse estão espalhados pelo mundo e o nosso objetivo é propor o diálogo entre a música e a mídia, dando visibilidade e revelando realidades como a desses jovens. São enormes os significados de uma viagem como a que eles vão fazer à Alemanha. Eles levarão na bagagem Beethoven, mostrando a universalidade dessa música; mas também é a história de cada um desses músicos que será mostrada lá, proporcionando uma troca de experiências muito grande. E essa troca é emocionante, empolgante mesmo.”

Para um dos coordenadores do Instituto Baccarelli, Edilson Venturelli, fica claro nos olhos das crianças a emoção por conta da viagem. “Imagina a quantidade de histórias que eles vão ter para contar na volta?”, brinca.

Os músicos ficarão hospedados em casas de famílias alemãs e terão contato com jovens músicos do país, além de trabalhar com professores locais e com o maestro Yutaka Sado, que vai dividir a regência da turnê com o titular da sinfônica, Roberto Tibiriçá.

A viagem conta ainda com apoio do Mozarteum Brasileiro – os artistas da temporada de concertos da entidade têm dado master classes para os integrantes da sinfônica; e o solista da turnê alemã será o violinista Shlomo Mintz, que vai interpretar o Concerto para Violino e Orquestra de Tchaikovski.

A Deutsche Welle encomendou ainda uma obra ao compositor André Mehmari, Cidade do Sol, que vai estrear durante a turnê. “É fundamental para nós também o aspecto da troca de informações no que diz respeito à criação.”

Patrimônio. Após ouvir a interpretação da Sinfonia nº 8 de Beethoven, Ilona Schmiel conversou com os músicos da orquestra e brincou. “O maestro disse que esse é só o segundo ensaio de vocês, mas não acredito.” Ao Estado, mais tarde, se disse impressionada com o andamento imposto pelo maestro Tibiriçá, “bastante rápido”, e com a capacidade dos músicos de acompanhá-lo. “Há uma energia extremamente cativante na maneira de tocar dessa orquestra. Em Bonn, recebemos sempre orquestras de fora, mas desde agora estamos todos ansiosos pela presença desta sinfônica. Quando os ouço, penso que essa energia fala muito claramente não apenas do futuro dessas crianças, mas, também, do futuro da própria música clássica.”