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Aquele Beijo é inteligência, humor e sensibilidade de Miguel Falabella na telinha

Desde as primeiras cenas as quais pude assistir, a nova novela de Miguel Falabella, que vai ao ar no horário das sete e tem direção de Cininha de Paula, chamou-me a atenção.

Gosto de Miguel e de sua inteligência inquieta, atrevida, sarcástica, transgressora mas ao mesmo tempo extremamente sensível, delicada e bem humorada.

Infelizmente, os perrenques do dia-a-dia impedem-me de acompanhar a novela como gostaria mas tenho certeza de estar perdendo uma das melhores novelas das mais recentes neste horário das 19h. Miguel melhora a cada nova trama. Como se fora exemplar de uma boa safra de vinho, seu dom de comunicar com leveza, bom humor, alfinetadas sutis nos momentos certos, e lampejos de uma pessoa muito espiritualizada, perpassam toda a sua criação dramatúrgica e se fazem notar de forma mais lapidada, a cada novo trabalho.

Falabella deu a Diogo Villela a chance de, mais uma vez, mostrar seu excepcional talento e versatilidade…

Miguel Falabella é um dos grandes artífices das boas tramas televisivas, sabendo unir com precisão de quem entende fundo do riscado o luxo dos grandes espetáculos da Broadway (aos quais ele tem constantemente transposto para o teatro com público que confirma o acerto de suas criações), o inteligente e irreverente humor carioca, e a pitada de crítica social e política que perpassa toda a sua obra. Pra ele, tiro meu chapéu e ofereço um aplauso entusiasta. De noveleira atenta, de mulher que ama o teatro, de jornalista da área cultural que dedica à TV o mesmo olhar de Respeito que dedica ao Cinema, à Música e às Artes de modo geral, e sobretudo de cidadã que se tornou fã de sua maneira original e inusitada de dizer o que pensa através de obras dramatúrgicas com gosto e sabor de alegria, respaldas num afinado senso crítico e estético.

Miguel Falabella era ademais um dos grandes amigos de meu querido e saudoso dramaturgo de afeição primordial, o inesquecível Mauro Rasi, tão cedo partido de nosso convívio. Não fora por tudo o que já disse, só em ter partilhado do convívio com o genial Mauro Rasi, Miguel Falabella já teria meu respeito.

Pois tudo isso é só pra que ele saiba, e o enorme contingente de público que o acompanha há anos, que ele está fazendo de Aquele Beijo uma obra singular. Inovadora, quando coloca a própria voz do autor funcionando como uma espécie de ‘consciência’ ou alter-ego dos personagens. Isso é um achado magnífico ! Não há quem não pare pra ver. Até meu pai, avesso a novelas, outro dia elogiava os ‘off’ do autor. Uma das frases pronunciadas ontem, na qual Miguel faz uma associação entre Shakespeare, o teatro, a tristeza, o prazer, a dor e o uso de máscaras foi tocante. Pena que não anotei logo a frase e agora ela me foge à memória.

Prisicla Marinho é um dos destaques da trama de Falabella…

Se você ainda não viu Aquele Beijo, se ligue ! É uma novela supimpa, como diria meu querido Mestre Artur da Távola. E, do pouco que eu vi, posso enumerar alguns destaques que saltam aos olhos e ao coração: primeiro, registro o enorme afeto e generosidade que Falabella demonstra por seus amigos-atores. Ele tem esta saudável mania de gostar de dar oportunidade aos amigos, de escrever pensando neles, e de entregar-lhes papéis nos quais possam dar o melhor de si. É assim, desta vez, com Marília Pera, com a querida Zezeh Barbosa – que está ótima no papel e elegantérrima, como merece esta grande atriz -, Claudia Jimenez, Bruno Garcia; e Miguel ainda lembra, sempre, de dar chance a artistas que ficam no limbo – sabe-se lá porquê – e assim faz retornar à telinha nomes como Thelma Reston, Bia Nunes, Maria Gladys, Jorge Maya, Maria Lúcia Dahl, Stella Miranda, e criou um fabuloso papel para o amigo Diogo Villela, que está simplesmente ‘roubando as cenas’ onde aparece. Sem contar na ótima portuguesa Maria Ribeiro, e na volta de Mary Sheylla (!!!), Patrícia Bueno e Priscila Marinho.

Mas no estágio atual da trama, parece-me que uma das situações mais engraçadas é a da doméstica que anda dando uma de patroa pra cima de uma suposta ‘dona do pedaço’…

Claudia Jimenez está ótima na pele de uma vidente…

Aí temos um DESTAQUE Especial: a atriz Lana Guelero, que faz a doméstica Raimundinha, um capítulo a mais na novela, atriz que deve deslanchar depois desta trama – que nem a Prazeres Barbosa, que Falabella viu atuando em Pernambuco, se encantou com ela, e levou-a para a Tv Globo. Assim, o Brasil hoje pode aplaudir Prazeres, como em breve será com Lana Guelero.

* Soube que LANA é atriz formada em Artes Cênicas pela Escola Macunaíma de Teatro de São Paulo. Atua desde 1980, em teatro, televisão e cinema. Participou das novelas “Duas Caras”, “A Favorita” e “Viver a vida” e do premiado filme de Eduardo Coutinho Jogo de Cena.

LANA GUELERO é um vulcão em cena e está arrebentando em Aquele Beijo…

Bia Nunes contracena com Lana Guelero: momentos insólitos de boa quebra de paradigmas…

E tem ainda Luís Salém num personagem hilário e sarcástico. Diz Miguel:

“A personagem de Luís Salém é uma travesti chamada Ana Girafa, participará de um concurso de melhor imitadora da cantora americana Lady Gaga. Para tanto, resolve usar seu vestido de carne. O problema é que a bicha é pobre e não tem dinheiro pra comprar carne, então ela pendura uns pés e uns pescoços de galinha, umas pelancas de carne de segunda e sai pela favela. Aí um cachorro começa a correr atrás dela e ela fala o seguinte: ‘Esse cachorro é homofóbico. Eu vi nos olhos dele!’”

A frase de Ana Girafa é, na verdade, uma crítica do autor ao radicalismo de certos grupos LGBT, que veem homofobia em tudo. “Acho esse negócio de beijo gay uma bobagem. Nas minhas novelas sempre tem travesti. Sempre tive liberdade de fazer várias coisas. Acho até que as pessoas esperam que tenha esse tipo de personagem nas minhas novelas. Então, beijo gay fica tão pequeno perto de uma traveca vestida de carne…”

A Van Première, uma genial sacada de Miguel Falabella… hilário !!!

Outro ponto positivo de AQUELE BEIJO: o romance de Amália e Joselito, uma mulher madura e um homem mais jovem. Esse tipo de relação vem-se incrustando cada vez mais nas tramas televisivas globais, e, a médio prazo, isso vai desembocar numa verdadeira (salutar e necessária) mudança de costumes sociais quanto às relações homem x mulher. Porque para os homens, quando exemplar mais velho da dupla, sempre foi permitido e consentido, desfilar por aí assumindo romances com mulheres bem mais jovens. Para as mulheres, isso sempre foi visto como um absoluto destempero, uma coisa ridícula, o homem mais jovem pro certo só teria interesse financeira na parceria… e as novelas vem, sutil mas constantemente, mostrando que esta situação precisa ter um comum de dois, ou seja, o que vale para o sexo masculino, também deve valer igualmente para as representantes do feminino. E isso está sendo incutido, sub-repticiamente, nas mentes masculinas e femininas. Brevemente, mulheres circularem e assumirem romances com homens mais jovens será tão aceito quanto o é para os marmanjos.

E mais uma vez é a televisão contribuindo para alterar comportamentos, ainda que seus artífices possam apenas estar espelhando o que já vem acontecendo, de modo cada vez mais forte, no dia-a-dia das grandes cidades. Benza Deus !

Que o Amor e a Paixão possam se expressar, publicamente, da forma que nascem – ao cruzar de sinergias e empatias inimagináveis – mas que possam prosperar e proliferar onde quer que haja duas pessoas com igual sentimento afetivo, sensual e sexual uma pela outra.

Nisso também, num arejar de conceitos sobre as relações amorosas, e num questionar de posturas que permanecem arraigadas em formatos de comportamento que já não mais fazem sentido na contemporaneidade, a novela de Miguel Falabella também desempenha importante papel.

Portanto, nosso PARABÉNS caloroso, solidário e entusiasta para Miguel Falabella, Cininha de Paula, a todo o elenco e equipe técnica que fazem de AQUELE BEIJO uma das melhores novelas dos anos mais recentes.

Tv Unesp estreia em Bauru em sinal aberto e na internet

Televisão universitária da Unesp também retransmitirá programação do Canal Futura em UHF e pode ser acessada via web 

A Televisão Universitária Unesp entra no ar, em caráter experimental, próximo dia 4, às 20 horas. A transmissão, inicialmente analógica, será em sinal aberto e poderá ser captada em Bauru pelo canal 45 UHF*. Em breve, a emissora passará a transmitir em sinal digital, com som e imagem em alta definição. Na internet, já pode ser acessada no site www.tv.unesp.br

A primeira transmissão oficial da TV Unesp terá uma hora de duração e será uma amostra dos programas que a emissora vai levar ao ar. Entre eles está o “Fórum”, programa de entrevistas interativo. Por meio das redes sociais na internet e um chat disponível no site da TV Unesp, o público envia perguntas, comentários e responde a enquetes. A primeira entrevista exibida será com o Reitor em exercício da Unesp, Julio Cezar Durigan. 

Outras estreias ao longo da semana são os programas Artefato, que discute cultura, tecnologia, literatura, arte e entretenimento, aproximando-os do cotidiano; e o Som e Prosa, que divulga o trabalho de bandas e músicos da região, além de discutir temas contemporâneos do cenário musical. Exibidos semanalmente, esses programas têm reapresentações em horários alternativos (confira abaixo). Boletins diários também trazem notícias, informações de interesse público e a previsão do tempo em parceria com o Instituto de Meteorologia da Unesp, o IPMet.

A TV Unesp chega com a proposta de ser uma emissora multimídia, sintonizada com as tecnologias convergentes. Assim, o público poderá assistir à programação não apenas na tela da televisão, mas também via internet, seja pelo computador, celular ou tablets, simultaneamente à transmissão aberta. O conteúdo também poderá ser acessado a qualquer hora, sob demanda do usuário, no site da emissora.

Nas redes sociais (http://www.facebook.com/tvunesp; http://twitter.com/tvunesp; http://www.youtube.com/user/tvunesp), o público pode opinar, sugerir e participar das pautas dos programas. 

Além dos conteúdos próprios produzidos em Bauru, a TV Unesp retransmitirá a Bauru a programação do Canal Futura, um dos mais prestigiados canais educativos da televisão brasileira. A emissora bauruense faz parte da rede de 30 universidades parceiras do Futura e vai colaborar com conteúdos a serem exibidos também nacionalmente. 

Fora das telas, a TV Unesp cumpre sua função de ser uma televisão universitária, colaborando com projetos de ensino, pesquisa e extensão da Universidade. Dessa maneira, o canal se mostra um campo fértil para pesquisas, experimentação, formação profissional e prestação de serviços à comunidade.       

(*) Para assistir à programação da TV Unesp no televisor, é necessário instalar antena UHF. O sinal é sintonizado no canal 45. Também é possível ver o conteúdo pelo site: http://www.tv.unesp.br.  

* Esta nova emissora bem podia se chamar TV MAURO RASI, numa justa homenagem a um dos mais brilhantes dramaturgos deste país, o saudoso e queridíssimo MAURO RASI, criador da peça Pérola e de outras tantas iguarias dramatúrgicas de mesmo quilate, as quais o público pôde assistir e os atores tiveram a honra de encenar.

Saudades infindas de Mauro Rasi !

Italo Rossi e Fernanda Montenegro com Mauro Rasi: ensaios da peça Alta Sociedade

Serviço

Início das transmissões da TV Unesp em Bauru

Dia: 4 de novembro

Horário: 20h

Canal 45 UHF ou www.tv.unesp.br

 

Programação TV Unesp  

 

inédito

reapresentação

Fórum

Terça-feira: 22h30 Sábado: 19h30

 

 

Segunda-feira: 14h

Artefato

Quarta-feira: 22h30 Sábado: 16h

 

 

Domingo: 9h

Som e Prosa

Sábado: 18h30 Domingo: 14h30

 

 

Quarta-feira: 20h30

 

Rosemary Estréia no Teatro de Santos

O espetáculo O Que Terá Acontecido a Rosemary? será encenado dia 7 de agosto no Teatro Braz Cubas, em Santos. A temporada da peça se estende até 26 de Setembro, sempre aos sábados e domingos, às 21 horas.
 
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Com inspiração nas antigas chanchadas do cinema brasileiro, a peça mostra o embate entre duas irmãs: Rosy e Betty Blue, suas aventuras e desventuras em busca da fama, sucesso e reconhecimento.

Tendo como fio condutor uma paródia dos clássicos filmes O Que Terá Acontecido a Baby Jane e A Malvada, ambos com Bette Davis, o espetáculo está calcado na interpretação dos atores, onde há o resgate do humor popular com uma embalagem cênica moderna.

Sobre o Besteirol

No alvorecer da década de oitenta, um movimento-artístico-teatral tomou de assalto os palcos do eixo Rio /São Paulo, firmando-se como um dos últimos da cena contemporânea brasileira a ter grande expressão.
Amado e odiado na mesma proporção, o Besteirol – terminologia imortalizada numa crítica teatral ao espetáculo As 1001 Encarnações de Pompeu Loredo, de Mauro Rasi e Vicente Pereira -,  detém um séqüito de detratores e entusiastas.
Recheado de referências que vão da comédia popular ao Teatro de Revista com seus números de cortinas e comperes, do Teatro Épico- que teve sua fonte nos números de Cabaré de Karl Valentin- às Chanchadas da Atlântida, uma coisa é certa: raso e superficial os espetáculos desta natureza jamais foram.
Paródias, paráfrases, estilizações, metáforas, intertextualidade, metalinguagem, distanciamento, critica mordaz aos costumes, antropofagia dos conceitos pequenos burgueses, tudo isto se justapõe de maneira bem humorada, irreverente e sarcástica.

Este movimento é comparado a outros importantes da década de 80, em outros países, como por exemplo A Ridiculous Theatrical Company, nos Estados Unidos, que trouxe à cena a obra dramatúrgica de Charles Ludlam (O Mistério de Irmã Vap), e a Movida Madrileña, na Espanha, que revelou nomes como Pedro Almodóvar.


Diversos atores e autores vieram renovar a cena neste período, como Miguel Falabella, Vicente Pereira, Mauro Rasi, Hamilton Vaz Pereira, Maria Lucia Dahl, Guilherme Karam, Duse Nacaratti, Ricardo Almeida, Miguel Magno, Diogo Vilela, Louise Cardoso e tantos outros. E espetáculos ficaram na história, como Sereias da Zona Sul, Doce Deleite, Camila Backer Lives in Concert, Pedra – A Tragédia, Classificados Desclassificados e Quem tem Medo de Itália Fausta ?, este último, considerado o epíteto do Teatro Besteirol.

Neste ano de 2010, quando se comemoram 30 anos do surgimento do BESTEIROL, Santos poderá apreciar o espetáculo O Que Terá Acontecido A Rosemary? 

  Ficha técnica    

Autor: Kadu Veríssimo

Direção: André Leahun 

Produção: Casa 3 de Artes


Elenco:

Kadu Veríssimo
Junior Brassalotti
Luiz Fernando Almeida

Quando:

de 7 de agosto até 26 de Setembro, sábados e domingos, 21 horas.

Ingressos:

Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira),

R$ 15,00 (lista de desconto)

e R$ 10,00 (classe artística, estudantes e idosos). 

Onde:

Teatro Municipal Brás Cubas

Av. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias.

A peça tem apoio de Trajano Bar, Metropole Restaurante, Lavanderia Londres, A Mineira Pao de Queijo, Secretaria Municipal de Cultura de Santos e Prefeitura Municipal de Santos.

* N.R: Os votos do Blog Aurora de Cinema para  o sucesso do espetáculo e que a temporada tenha êxito de público e crítica.

Juninho Brassalotti é um amigo super querido, ator de talento, versatilidade e produtor cultural de invejável capacidade.

O Besteirol, gênero imortalizado pelo saudoso e queridíssimo MAURO RASI, precisa ser mais divulgado no país. As novas gerações pouco ou nada conhecem dele de fato. Nós AMAMOS o gênero e trabalhamos, sempre nos é dada a chance,  pra que seja reconhecido em todo o país como uma das boas contribuições brasileiras ao movimento teatral do mundo.

Mauro Rasi: humor refinado, inteligência aguçada, dramaturgia rica em questionamentos e versatilidade, escritor deixou enorme lacuna na cena artística brasileira… Saudades de Mauro Rasi…

SARAVÁ !!! Viva MAURO RASI !!! SALVE o BESTEIROL !!!

VAMOS AO TEATRO conferir O Que Terá Acontecido a Rosemary?