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Criação de Raimundo Rodriguez concorre ao Emmy

Minissérie com direção de arte do genial artista é um dos programas da TV Globo indicados ao cobiçado Prêmio EMMY deste ano

Rai e latas

O artista #RaimundoRodriguez assina a primorosa Direção de Arte de ‘Alexandre e Outros Heróis’…

A TV Globo concorre, mais uma vez,  ao Prêmio Emmy Internacional, considerado o Oscar da televisão mundial. Desta vez, em três categorias com as produções: #Jóia Rara, de Thelma Guedes e Duca Rachid, disputan a estatueta de melhor telenovela; o seriado A Mulher do Prefeito, o-produção com a O2 Filmes, estrelada por Tony Ramos e Denise Fraga, concorrendo a Melhor Comédia; e na categoria minissérie ou filme para TV, foi indicado o especial Alexandre e Outros Heróis, dirigido por Luiz Fernando Carvalho.

Mel Maia protagoniza a novela #JóiaRara em atuação primorosa…

Os vencedores serão anunciados dia 24 de novembro. Na cerimônia de gala, em Nova York, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, vai receber o prêmio “Personalidade Mundial da Televisão”.

Latorraca em Alex

SAIBA MAIS sobre ALEXANDRE e Outros Heróis

Uma equipe da TV Globo ficou quase dois meses no município de Pão de Açúcar, distante 150 km de Maceió, para fazer a produção do especial de fim de ano “Alexandre e outros Heróis”, dirigido por Luiz Fernando Carvalho (das microsséries “Subúrbia”, “Capitu”, “Hoje é Dia de Maria”). Ney Latorraca interpretou o Coronel Alexandre, personagem central da obra, baseada em história escrita pelo alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), lançada originalmente no livro de causos destinado ao público infanto-juvenil “Histórias de Alexandre”, de 1944 – reeditada no compêndio “Alexandre e outros Heróis”, de 1962, que incluiu dois novos contos, “Pequena História da República” e “Terra dos Meninos Pelados”.
NEY Latorraca tem atuação sublime na minissérie Alexandre e Outros Heróis
Rai Alex
As histórias contadas pelo vaqueiro Alexandre, narradas pelo personagem já velho e interpretado por Ney Latorraca, trazem uma mitologia do Sertão  – da onça que engana o vaqueiro se passando por um cavalo ou da cobra que o vaqueiro confunde com a bota –, caindo como uma luva nas mãos do diretor Luiz Fernando Carvalho, com obras de impacto literário e efeitos visuais como “Hoje é Dia de Maria”, gravado em duas jornadas em 2005, ‘A Pedra do Reino’, e a novela #Meu Pedacinho de Chão (deste 2014), entre outras obras notáveis da Teledramaturgia Brasileira.
A produção do especial em Pão de Açúcar reservou pousadas e alugou casas no município localizado às margens do baixo rio São Francisco – deixando moradores e autoridades municipais em alerta, afinal todos queriam ajudar. O trabalho foi uma bela homenagem aos 60 anos de morte do escritor Graciliano Ramos com a adaptação de dois contos do escritor alagoano: “O olho torto de Alexandre” e “A morte de Alexandre”.

Trazendo e valorizando o ambiente do nordeste brasileiro, a comédia é exibida em volta das fanfarronices de um típico mentiroso do sertão. Toda a  história faz parte do folclore nordestino. As gravações aconteceram no sertão de Alagoas, terra natal de Graciliano. A locação foi uma antiga fazenda às margens do Rio São Francisco, o mesmo rio que faz divisa entre as cidades de Petrolina, em Pernambuco e Juazeiro, na Bahia.

Alexandre e Outros Heróis tem texto de Luís Alberto de Abreu e Luiz Fernando Carvalho e direção de núcleo de Luiz Fernando Carvalho.

ENTENDA COMO RAIMUNDO RODRIGUEZ trabalha:

Para conseguir retratar com fidelidade um nordeste que sofria nas mãos de coronéis e em meio a muita seca, o diretor Luiz Fernando Carvalho valeu-se, mais uma vez, de sua sensibilidade e inteligência e convidou o parceiro Raimundo Rodriguez para ser o ‘construtor’ da fictícia fazenda do coronel Alexandre.

Rai coroa

Foram quase dois meses na pequenina cidade alagoana de Pão de Açúcar para conseguir ambientar o cenário da minissérie Alexandre e Outros Heróis. #Raimundo Rodriguez diz que é chamado de ‘jagunço’ por Luiz Fernando Carvalho e conta sobre a experiência: “Andamos por várias cidades e fazendas. Foi justamente na última que eu encontrei. Recuperamos telhados, reconstituímos madeiras pintadas e restauramos um piso de cerâmica feito à mão”.

Rai latas

“É preciso ter Amor no trabalho senão não tem sentido fazer” #RaimundoRodriguez

Não importa que tenha um cargo de diretor: Raimundo gosta de trabalhar mergulhando de cabeça e arregaça as mangas: “Trabalho 15 horas por dia de capacete e luva. São mais de 30 anos de trabalho e meto a mão na massa do começo ao fim”.

Para a empreitada, Raimundo recrutou 15 operários de Pão de Açúcar e teve de convencê-los a mudar de hábitos: “Eles não trabalhavam às segundas porque é o dia de feira deles. Foi uma tarefa difícil dada a urgência com que a TV trabalha”. E o artista teve de trabalhar muitos dias sozinho: “Se eu não me envolvo, não me interessa fazer aquele trabalho. Dinheiro não é o que me move. Tem de ter amor, senão o trabalho não é reconhecido”.

Rai e paredes de Alex

Raimundo Rodriguez envelhecendo as paredes para alcançar outro tempo dramatúrgico…

Para deixar a casa com uma imagem semelhante a dos anos 40, Raimundo Rodriguez usou recursos simples, como aliás costuma fazer em toda a sua impactante produção: “Minha verve é aproveitar o que tem. Se não tiver tinta, uso barro. Compramos todo o estoque de chá preto da cidade para envelhecer as paredes. Faço sempre um processo natural. Fiquei horas passando a mão com cera de chão nas paredes”.

Mesmo o equipamento de gravação, cujas imagens são feitas em alta definição, passou por um processo rudimentar: “Fizemos refletores (que iluminam a cena) com papel vegetal”, explica #Raimundo Rodriguez.

lamparinas

“Quarenta minutos antes de gravar, ele queria que eu arrumasse uma mala de boticário de época. Quando comecei a tentar fazer, descobri que a viúva do boticário da cidade, ainda tinha a mala dele”, diz Raimundo. Mas ele diz não se importar com os pedidos difíceis do diretor: “É importante não dizer não. Tenho muita fé de que tudo vai dar certo”.

Rai trab em Alex

Assim é #RaimundoRodriguez, este cearense arretado da molesta, que faz Arte até com o sopro do vento na poeira das estradas. Saravá !!!

Rai em Alex

Veja aqui um pouco do que foi ao ar: 

Confira aqui bastidores das gravações: 

Às vésperas do fim de ‘Meu Pedacinho’, Luiz Fernando Carvalho se declara um APRENDIZ

“É preciso avistar o mundo de talentos que é nosso país”, diz Luiz Fernando Carvalho, forte candidato ao Emmy com a espetacular novela Meu Pedacinho de Chão…

Luiz Fernando Carvalho declara: “Trago apenas amor pela história e os personagens”

* Reproduzimos aqui a ótima entrevista do colega Mauricio Stycer, publicada no UOL, com o emérito diretor da novela Meu Pedacinho de Chão, destacando alguns pontos que consideramos mais relevantes

Na reta final de “Meu Pedacinho de Chão”, o diretor da novela, Luiz Fernando Carvalho, avalia que o trabalho mostrou a possibilidade de pensar um velho formato, como a novela, de forma original.

Como tantos outros trabalhos seus, “Meu Pedacinho de Chão” fugiu totalmente do óbvio e surpreendeu os espectadores do horário das 18h da Globo. Escrita por Benedito Ruy Barbosa nos anos 70, a novela foi transformada num conto de fadas. Ou, como diz Carvalho, em “uma espécie de sonho”.
Nesta entrevista ao UOL, o diretor fala da necessidade de “renovar mais e copiar menos” na televisão. Acha que o modelo de novela está velho e burocratizado.
Carvalho também fala do seu método de trabalho com os atores (“ou se cria uma nova expressão, um novo ser, ou não faz o menor sentido estarmos ali”), e da alegria que teve de ver como Juliana Paes se reinventou (“tive a alegria de ver nascer uma nova atriz”) no seu papel na novela.
UOL – Como você avalia o resultado final de “Meu Pedacinho de Chão”? 
Luiz Fernando Carvalho – Positivamente. Foi uma novela que trouxe várias questões não só aos telespectadores, mas também a nós realizadores de dramaturgia. Evidentemente digo isso pensando desde o modo de se escalar e de se preparar os intérpretes, passando pelo número reduzido de personagens e de episódios, até chegarmos no exercício de uma linguagem narrativa adotada a partir de uma espécie de sonho, uma ideia onírica do que poderia ser uma novela rural lida através de um novo ponto de vista. Este sim, me parece um salto consistente de leitura e interpretação sobre um universo que me soava repetitivo e estagnado.
O que você planejou fazer e não conseguiu?
Meu trabalho é feito de tentativas. Entre elas, ficaram para trás tantos desejos não realizados que não saberia te responder exatamente. Como o desejo de tornar o universo de alguns personagens mais elaborados. Era o caso do Giácomo, por exemplo. Desempenhado de forma brilhante e terna pelo [Antônio] Fagundes, que com seu modo de atuar excitava minha imaginação todos os dias, me fazendo visualizar uma pequena perspectiva, um fragmento que fosse do passado de seu personagem: a falecida mulher, sua origem, a construção de seu pequeno mundo de comerciante, enfim. Mas tudo me escapava. Com um texto já escrito, desejos como esses se tornam impossíveis de serem realizados.

Leonardo Colosso/Folhapress

Enxerguei este texto do Benedito (foto) como um clássico, com mil possibilidades de leitura. Assim como um Shakespeare pode e deve ser encenado de várias formas – Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

Emiliano Queiroz fez um notável Padre Santo, bem dentro da ideia de ressignificação do texto que inspirou o diretor Luiz Fernando Carvalho

O que te surpreendeu na novela?

Não digo que tenha me surpreendido propriamente, mas o resultado da busca por uma ressignificação do texto foi algo surpreendente para todos nós. Era algo muito trabalhado por mim e por toda a minha equipe. Era um desafio. Enxerguei este texto do Benedito como um clássico, com mil possibilidades de leitura. Assim como um Shakespeare pode e deve ser encenado de várias formas – do histórico ao contemporâneo – e quanto maior a quantidade de leituras mais reafirmada será sua qualidade. Assim foi. Dos westerns aos animês orientais, tudo me vinha na cabeça. Das operetas de circo-teatro aos antigos melodramas de rádio.
“Meu Pedacinho de Chão” é uma história onde vários gêneros se cruzam: drama, comédia, aventura, quadrinhos, fábula. Me pareceu necessário cruzar também as linguagens, criando uma atmosfera híbrida, contemporânea, capaz de atender às mais variadas modulações da minha interpretação. Termos alcançado, com alguma delicadeza, um equilíbrio entre tantas coordenadas, sim, nos surpreendeu a todos.
Flávio Bauraqui evidenciou seu talento com o personagem Rodapé, ajudando a demarcar o papel da infância dentro do imaginário televisivo…
Muita gente avaliou “Meu Pedacinho de Chão” como uma novela infantil. Era uma novela para crianças?
Ao ler o texto, percebi o quanto o autor trabalhava com elementos dramáticos muito simples, quase naifs, mas muito míticos também, aproximando os personagens de arquétipos bem definidos. Propus então que o universo que abraçava a história fosse atemporal. Quando disse isso, claro, uma quantidade de impulsos e visões começaram a surgir dentro de mim.
Atemporal é um conjunto indefinido de afetos, tempos e espaços, mas que, necessariamente, precisam constituir uma unidade estética. Pensei imediatamente na questão da memória, que é uma das chaves da obra do Benedito, mas pensei sem o compromisso da representação histórica, de datas, etc. – se assim fosse, estaríamos realizando simplesmente uma novela de época. Então o atemporal transpassa todos os tempos, ele reúne impressões e formas do passado, do presente e do futuro. O atemporal é a própria imaginação em si.

Divulgação/TV Globo

 

 

 

 

 

Serelepe (foto) é como uma testemunha da resistência do lirismo, da força da infância. Isso implica dizer que a atmosfera é imaginada pelo olhar lúdico de um menino, com um frescor de luzes e cores, mas que, necessariamente, não torna a narrativa infantil   – Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

LUIZ FERNANDO CARVALHO afirma: “O LEPE é uma faísca inexplicável. Com ele, estou reivindicando o papel da infância dentro do imaginário televisivo”

Mas, no caso de “Meu Pedacinho”, há um ingrediente especial: a infância! Serelepe é como uma testemunha da resistência do lirismo, da força da infância. Isso implica dizer que a atmosfera é imaginada pelo olhar lúdico de um menino, com um frescor de luzes e cores, mas que, necessariamente, não torna a narrativa infantil. Serelepe também não é uma criança que fala e se comporta como um adulto. Ele é uma faísca inexplicável ! Um herói de fábula que contamina todo o microcosmo que sua luneta-olho alcança. Tudo aquilo seria um grande brinquedo do Lepe. Talvez esta seja até uma proposta complexa, mas nunca infantilizada. É uma tomada de posição. Estou reivindicando o papel da infância dentro do imaginário televisivo, a meu ver bastante abandonado pela dramaturgia atual.

 Bruna Linzmeyer e Geytsa Garcia sob a direção de LFC: “Não trago regras ou certezas de como deve ser feita a coisa, trago apenas amor pela história e os personagens
Chamou muito a atenção o desempenho de alguns atores conhecidos, como Juliana Paes, Rodrigo Lombardi, Osmar Prado e Antonio Fagundes. Como você conseguiu extrair desempenhos tão diferentes destes atores?
A preparação dos atores é a fase a qual mais me dedico dentre todas as fases de um trabalho. Cada projeto exige um conjunto de técnicas e procedimentos que apresento aos atores na sala de ensaio, visando sempre a um ato de coragem – ou libertação, se preferir. Como diz o poeta: “Se expressar é uma questão de vida ou morte.” Dentro dos ensaios, ou se cria uma nova expressão, um novo ser, ou não faz o menor sentido estarmos ali.
Sempre pensei no Osmar para o Êpa. Foi uma visão que me ocorreu durante a primeira leitura. Não trago fórmulas para montar um elenco, mas os sentimentos devem guiar tudo, como uma enorme saudade, por exemplo. Este é o caso do Fagundes: saudade! Fazia tempo não trabalhávamos juntos, mas, por outro lado, não gostaria de repetir algo que fizemos anteriormente, por isso lhe ofereci o Giácomo, uma figura de brinquedo. Saudade é novamente a palavra capaz de traduzir Irandhir Santos, distante desde “A Pedra do Reino”. Seu Zelão foi encantador.

Divulgação/TV Globo

 

 

 

 

 

Tive a grata alegria de fazer nascer uma nova atriz: Juliana Paes (foto). Cheia de coragem para se livrar de antigos modelos, Juliana encarnou uma Madame Êpa de opereta! Mostrando não só talento, mas disciplina e dedicação para se superar  

– Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

Mas, além de tudo e de todos, tive a grata alegria de fazer nascer uma nova atriz: Juliana Paes. Cheia de coragem para se livrar de antigos modelos, Juliana encarnou uma Madame Êpa de opereta! Mostrando não só talento, mas disciplina e dedicação para se superar. A atuação de Juliana revelou-se repleta de nuances, emocionou e fez sorrir a um só golpe. O mesmo devo dizer do Rodrigo Lombardi, que se despojou do estigma de galã e, renascido como artista criador, se aventurou com riquezas de detalhes na criação de seu Pedro Falcão.

O encontro com estes múltiplos talentos, provenientes dos mais variados pontos do país, foi o que deu ao meu dia a dia uma sensação de unidade artística e cumplicidade espiritual. Termos tido coragem para imaginar um mundo novo foi o melhor daqueles dias ! E esta coragem, buscada desde a sala de ensaio, cada ator a levará eternamente consigo. Se tivesse que resumir esta experiência com os atores de “Meu Pedacinho”, diria que estávamos diante de um grande divertimento. É assim que todos estamos nos sentindo. É assim que nos despedimos.
Em termos de audiência, a novela ficou abaixo da média do horário, com números um pouco inferiores até a “Lado a Lado” e “Joia Rara”, as que tiveram pior Ibope. Como você vê esses números?
Em um ano atípico, cheio de eventos, estreando em meio a feriados e atravessando uma Copa do Mundo, sinceramente, minha avaliação só pode ser positiva. Ficarmos dentro da média de novelas apresentadas há dois anos me parece bem razoável.
 

Infelizmente falta reflexão crítica. É preciso renovar mais e copiar menos, levantando os olhos do próprio umbigo e avistando o tal mundo

– Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

                      Lucas Pinheiro, de longa estrada no teatro, na pele do barbeiro Aristides…

Dizem que o mercado de atores está saturado e as novelas repetem sempre os mesmos. “Meu Pedacinho…” mostrou vários rostos novos ou pouco usados na TV, todos muito talentosos. Qual é o segredo?

Não há segredo. É preciso virar as costas para o litoral, repleto de consagrações imediatas, e avistar um mundo de talentos que é o nosso país. É preciso também repensar o modelo de dramaturgia com urgência. Não sou um especialista, mas o modelo soa velho e burocratizado. Há novelas com mais de cem personagens sem que de fato esta quantidade se faça necessária dramaturgicamente. Há um desperdício que se tornou uma regra faminta, capaz de devorar os melhores talentos já estabelecidos.
É preciso virar as costas para o litoral, repleto de consagrações imediatas, e avistar um mundo de talentos que é o nosso país”, diz Luiz Fernando Carvalho
Some-se a isso, uma real fragilidade na formação de novos atores, autores e diretores. Em ultima instância, seriam os diretores os responsáveis por analisar e refletir de forma crítica os textos e as escalações. Infelizmente falta reflexão crítica. É preciso renovar mais e copiar menos, levantando os olhos do próprio umbigo e avistando o tal mundo. Pouco importa um diretor ou autor que foi colaborador por décadas, praticamente um funcionário público, ele repetirá formulas e procedimentos arcaicos mesmo sendo chamado de “novo”.
Dani Ornellas brilhou como a despachada ‘Amância’, funcionária da fazenda do coronel Epa…
“Esperança”, de 2002, havia sido a sua última novela. Como foi voltar a fazer uma novela? Planeja outras?
Escolhi dirigir poucas novelas para me colocar diante delas como um amador.  Esse frescor é fundamental para mim. Por isso “Meu Pedacinho de Chão” não se trata de mais uma novela, nem mesmo considero este momento como simplesmente minha volta às novelas. Não estou voltando a nada, pois não considero ter abandonado coisa alguma. O que existe é a continuidade de um exercício de narrador que não termina nunca e, especialmente em relação às novelas, ainda pouco explorado por mim. Tenho ainda curiosidades em relação ao gênero e por isso mesmo considero um desafio revisitá-lo. Sou um aprendiz. Não trago regras ou certezas de como deve ser feita a coisa, trago apenas amor pela história e os personagens. Repito: sou um amador.
Paula Barbosa e Bruna Linzmeyer: como Gina e Professora Juliana, as atrizes encantaram em ‘Meu Pedacinho de Chão’…
Novela é um gênero com futuro na televisão? Esse formato mais curto, com 100 capítulos, é uma solução?
A novela não morrerá nunca. Muda-se o suporte, o veículo, e a novelinha estará lá! Ela é arquetípica. Faz parte do inconsciente coletivo ouvir histórias, ler, contar. Não há muita diferença entre estes modos. A imaginação trabalha diferentemente, tudo bem, mas as emoções trafegam de forma parecida, se comunicam, estão ali, ligadas. Estaremos sempre abertos à uma boa história. O que precisamos refletir é uma questão de forma –  sempre a questão mais delicada. Nos dias de hoje, debaixo dessa saraivada de imagens e conteúdos que consumimos, me parece inadmissível acreditarmos que a narrativa e a linguagem não precisam avançar em busca de uma modulação mais criativa.
Irandhir Santos conquistou mais fãs e encantou o país com a quebra de paradigmas promovidapelo seu apaixonado ‘Zelão’…     #AplausoBlogAuroradeCinema

O ‘Pedacinho’ que vai ficar faltando no nosso coração…

Novela está em sua semana final e vai deixar imensa saudade no coração do público… Uma melancolia sobranceira começou a instalar-se desde a semana passada. Nesta que corre célere,  mesmo o azul que nos protege acinzentou tristemente, como na bela canção do musical poeta Herbert Vianna. Porque nós, que acompanhamos com amorosa fidelidade a novela de Benedito Ruy Barbosa, Luiz Fernando Carvalho, Carlos Araújo, e Raimundo Rodriguez, estamos já imersos numa latejante saudade de Meu Pedacinho de Chão.

Lepe e Pituca por Anderson Tomás Sampaio e Geytsa Garcia: Lepe e Pituca encantaram … foto Anderson Dias

Concordo com o jornalista Breno Cunha quando afirma:  “Meu Pedacinho de Chão” ainda não acabou e a falta que vai fazer para a televisão brasileira e seus milhões de consumidores é incalculável”. Mesmo diante do encantamento que nos chega por um simples clic no controle remoto, instalou-se sorrateiro um vazio triste antevendo o final de obra tão delicadamente bela e profunda.

Padacin casa

Não, não dava pra prever que esta adesão funda e emocional viesse junto aos mágicos ingredientes de Meu Pedacinho.  À primeira vista, parecia que o visual seria uma cereja de bolo, mas não havia suficientes iguarias para cativar um público de milhões. Afinal, somos um país de noveleiros, dentre os quais me inscrevo grata.

Já codinominada por nós como ‘a primeira novela naif brasileira’, Meu Pedacinho de Chão vai chegando ao final coroada de acertos, e com maciça reverberação na mídia, que repercute os reclamos de milhões de telespectadores também cientes do quanto a novela trouxe inovações importantes para o horário, reacendendo o interesse por um tipo invulgar de dramaturgia. A Dramaturgia que não precisa enveredar pela adrenalina das ações nem investir em temas onde armas, assaltos, crimes e violência explícita sejam o norte, provocando salutar reflexão sobre temas tão pueris quanto necessários.

Ao lado da filha Edilene e do neto Marcos, Benedito Ruy Barbosa, o autor, num dos ‘latifúndios’ de Meu Pedacinho de Chão

Meu Pedacinho de Chão escancarou no panorama cotidiano nacional a acuidade de se valer de caminhos onde a beleza ancore com serenidade capaz de emoldurar um vasto leque de pequeninos detalhes para falar de delicadezas das quais o mundo precisa, cada vez mais, e das quais a maioria de nós, espectadores, nos sentimos carentes, distantes, alijados, negligenciadamente esquecidos.

Dani e Renata Luciana

Renata Luciana, do figurino, e Dani Ornellas, que brilhou como ‘Amância’…

Flávio Bauraqui e Irandhir Santos: contracena de gigantes !

Quando digo ‘pequeninos detalhes’ é porque há uma soma imensa e altamente eficaz de coisinhas miúdas alumiando o universo lúdico da novela das 18h, e todos tem sua função, colaborando ricamente para esse encantamento que é Meu Pedacinho de Chão.

Meu Pedacinho de Chão

Paula Barbosa e Johnny Massaro conquistaram o público com um casal que demorou a se acertar  mas que encheu de beleza suas cenas…

São os cenários de Raimundo Rodriguez, a caracterização de Rubens Libório, as preciosidades de Myriam Mendes, Maria Madalena, Renata Luciana, Anderson Dias e tantos tantos outros que ali colocam suas pedrinhas preciosas ajudando a bordar o enorme diagrama onírico, que se acresce e agiganta-se num trabalho primoroso de construção dramática para o qual contribuem eficazmente uma belíssima e eficaz trilha sonora (orquestrada pelo maestro TIM Rescala), uma fotografia filigranada em filtros, cores e lentes altamente prodigiosas, resultando numa artesania artística de beleza singular, emocionalmente poderosa e inteligentemente construída, para amalgamar-se com o telespectador num profundo matelassé emotivo.

Há sim no rico acervo artístico do diretor Luiz Fernando Carvalho um conhecimento profundo da cultura brasileira, um respeito pela cultura popular e um saudável ‘visionarismo’ de casar a tradição com a renovação que é invejável. Porque visualizar o que conseguimos ao assistir a Meu Pedacinho é fácil e prazeroso. Mas imaginar como tudo ficaria se tais e quais investimentos artísticos fossem feitos é clarão de genialidade, portanto, é raríssimo e potencialmente marcante, inovador e ousado. Luiz Fernando e seu braço direito, Carlos Araújo,  acertaram em todos os pontos e isso já lhes concede, ou reafirma, a validade e alcance de seus acertos.

A riqueza de detalhes e o cuidado na construção de um universo lúdico impressionam em Meu Pedacinho de Chão

A exuberância colossal  do ‘Latifúndio’ do artista Raimundo Rodriguez tomou conta da telinha e ganhou público apaixonado…

A partir da obra Latifúndios, do artista plástico Raimundo Rodriguez, criados em 2000, foram pensadas todas as edificações da fictícia cidade de Santa Fé, berço da história de Benedito Ruy Barbosa. A matéria-prima da criação de Raimundo, que está em constante evolução, são latas de tinta das mais variadas cores e seus desgastes naturais, como nuanças e degradés, presentes nos cenários que admiramos sem nunca cansar o olhar.

Raimundo em foto Luisa Gomes Cardoso

Raimundo Rodriguez numa de suas obras para ‘Meu Pedacinho de Chão’… foto Luísa Gomes Cardoso… #criaçãoRaimundoRodriguez

Raimundo Rodriguez está lá com suas criações, preciosamente arquitetadas, em quase todas as cenas da novela: seja em portas, janelas e paredes, nas escadarias, na belíssima igreja ou em painéis móveis que servem de apoio para as gravações, bem como nas impecáveis animações com o galinho Bené e com o trenzinho que liga Santa Fé à cidade das Antas. Mas a sensibilidade artística de Raimundo vai muito além do que está evidente nos cenários intrinsecamente lindos e irremediavelmente convidativos de Meu Pedacinho: ele está também no desenho das cenas mais fortes de Zelão, no antever o movimento que tal peça de figurino terá quando diante de uma luz e de uma lente bem ajustada, na criação das notáveis estações que perpassaram todo o correr da história que tem em duas crianças seu epicentro emocional.

Cintia Dicker e Gabriel Satter: o casal Milita e Viramundo…

Como se tudo isso não bastasse, há uma harmonização de elenco deverasmente magnânima, formando um desenho cênico-interpretativo de força pertinaz porque nele há espaço para cada um confessar o melhor de si. E o que cada um traz para o jogo da cena ganha o peso de sua identidade, anunciando o brilho no olhar de quem brinca por indiscutível prazer, e denunciando a grandeza inconteste de quem sabe que a eficácia de uma construção está nos engenhos que cada um vai tecendo e ajudando a semear com carinho, ternura e solidariedade para fazer valer um pedacinho de chão, a nós entregue com tanta espontaneidade que nos flechou de vez e incrustou-se no nosso coração como maresia em pedras de além-mar.

Irandhir Santos e Bruna Linzmeyer: Zelão e a professora Juliana num amor de paixão que conquistou a audiência e ganhou até torcida…

Bruna Linzmeyer, Irandhir Santos, Osmar Prado, Juliana Paes, Johnny Massaro, Flavio Bauraqui, Antônio Fagundes, Rodrigo Lombardi, Inês Peixoto, Teuda Barros, Bruno Fagundes, Dani Ornellas, Gabriel Satter, Ricardo Blat, Letícia Almeida, Raul Barreto, Lucas Pinheiro, e mais as crianças Tomás Sampaio, Geytsa Garcia, e Kauê Ribeiro – cada um deles – e mais uma infinidade de artistas, seja em personagens com menor visibilidade ou em trabalhadores da artesania de bastidores, cada um deles tem uma parcela relevante de contribuição no mosaico de criatividade que é Meu Pedacinho de Chão.

Não queremos ser injustos e deixar de citar algum nome, mas são tantos que é impossível citá-los de cor. Então, segue abaixo a lista completa de bravos e fundamentais artesãos que contribuíram para a obra-prima que é Meu Pedacinho de Chão. A cada um de vocês, do mais ao menos conhecido, nosso abraço de gratidão e nosso Aplauso comovido. Afinal, foram alguns meses iluminando o olhar e acarinhando a sensibilidade com este sonhário singular do ‘Meu Pedacinho’.

FICHA TÉCNICA OFICIAL #MeuPedacinhodeChão

Escrita por Benedito Ruy Barbosa Colaboração Edilene Barbosa Marcos Barbosa De Bernardo Direção Henrique Sauer Pedro Freire Direção geral  Luiz Fernando Carvalho Carlos Araujo Direção de núcleo Luiz Fernando Carvalho Elenco de apoio Antonio Alves Dida Camero Rosa Iranzo Lucianna Magalhães Wladimir Pinheiro Bel Belloni Ignácio Aldunate Darília Oliveira Lucas Pinheiro Leandro Vieira Crianças de apoio Esthefanny Oliveira Jenny Flores Kaik Brum Leonardo Marchetti Autorização especial SATED RJ Cenografia  Keller Veiga Tadeu Catharino Wilson Lara Cristina De Lamare Cenógrafos assistentes Danielly Ramos Mariana Villas Boas Rodrigo Figueiredo Fabricio Palermo Roberto Villar Regina Paulino Figurino Thanara Schönardie Figurinistas assistentes Patrícia Barbeitas Daniella Lima Deborah Kasper Fernanda Moraes Luciana Morrissy Renata Luciana Dos Santos Contra-mestre Maria Madalena de Oliveira Silva Equipe de apoio ao figurino  Alex Sena Alicia Ferraz Carolina Lannes Cláudio Luciano Cristiane Peçanha Daniel Cavalcanti Dirley Souza Elijanite Marinho Eni Dos Santos Fábia Jane Dos Santos Heliana Conceição Helson Gomes José Luiz De Melo Leonardo Ramos Lisandra Miguel Maria José Gomes Markoz Vieira Marlene Alves Robson Salomão Rosa Corrêa Direção de fotografia Jose Tadeu Direção de iluminação Alexandre Fructuoso Gustavo Lacerda Gaffer Fábio Conceição Equipe de iluminação Marcio Ribeiro Pinto Juan Carlos Fructuoso Carlos Eduardo Gomes Luiz Leonard Ferreira De Souza Leandro Nogueira Finamore Guilherme Martinho Ribeiro Araujo Leandro Ramos Santos Maicon Carlos Matias De Lima Luiz Alberto Silva Freitas Carla Do Espirito Santo Barbosa Anderson Gonçalves Weslley Teixeira Artista plástico Raimundo Rodriguez Produção de arte assistente Luisa Gomes Cardoso Deborah Badaue Sabrina Travençolo Anderson Dias Marcos Mariano Produção de arte Marco Cortez Produção de arte assistente Carolina Pierazzo Daniela Wiemer Helenita Gontijo Myriam Mendes Equipe de apoio à arte Jose Marcos Thiago Leal Marco Aurélio De Carvalho Washington De Oliveira Adenilson Ligiero Luiz Alberto Da Silva Carolina Gomes Maria Do Rosário Soares Produção de elenco Márcia Andrade Instrutores de dramaturgia Agnes Moço Lúcia Cordeiro Renata Franceschi Renata Soffredini Tiche Vianna Mareliz Rodrigues Antonio Karnewale Produção musical Tim Rescala Direção musical Mariozinho Rocha Música Tim Rescala Música adicional Devotchka Caracterização Rubens Liborio Equipe de apoio à caracterização Rosemeire Santos Marinez Rodrigues Thais Nunes Paula Ines Da Costa Sheila Reis Andrea Adad Julice De Paula Rita Souza Leticia Biazzi Adelma Calixto Viviane Ribas Lucimar Almeida Edição Iury Pinto Carlos Eduardo Kerr Alberto Gouvea Alamyr Andrade Paulo Jorge Marcia Watzl Colorista Wagner Costa Sonoplastia Irla Souza Renato Muniz Marco Salles Dionisio Ferreira Efeitos visuais Rafael Ambrosio Videografismo Marcelo Nicácio Thiago Santoro Antônio Carlos Gonçalves Eduardo Salles Caio Licio Igor Lementy Pedro Vicente Leonardo Lino Ilustrador  Beto Campos Efeitos especiais Ricardo Menezes Abertura Alexandre Pit Ribeiro Alexandre Romano Direção de animação Cesar Coelho Direção de imagem Willians Rodrigues Dias Câmeras Murillo Azevedo Leandro Pagliario Thelso Gaertner Tito Livio Marcello Motta Cristiano Barroso Equipe de apoio à op. de câmera Zaify Da Silva Sampaio Fabiano Pereira Da Silva Rafael Rodrigues Dos Santos Jairo Dias Baptista Felipe Lopes De Miranda Equipe de vídeo Dreverson Marcio Kazik Gilberto Dos Santos Martins Filippe Esteves Bastos Equipe de áudio Paulo Roberto Bernardo Coutinho Amorim Pablo Mendonça Da Rocha Evandro Sardinha Fagner Leonel Dos Santos Ricardo Knupp Orlando Da Anuciação Barros Diego Maia Supervisor e op. sistemas Ricardo Luna André Almeida Rodrigo Siervi Gabriel Eskenazi Dannyo Escobar Adelto Santos Maquinista  Valdemir Cesar Gerente de projetos  Alexandre Gama Produção de cenografia Dalmo Meireles Supervisor de produção de cenografia Ronaldo Buiú Lucas Avenoso Fabio Silva Geraldo Mauro Silveira Miria Mathias Santos Equipe de cenotécnica Wanda Maria Guimarães André Luiz Santos Oswaldo José Da Silva José Marcos Alves Da Silva Thiago Leal Anderson Rollemberg Pedro Antônio Marcos De Oliveira Poubel Arilson Garrido Siqueira Carlos Renato Cardoso Ferreira Cláudio Rosa Conceição Renato Souza Almeida Wagner De Paula Carneiro Luiz Carlos Da Silva Jorge Luiz Araújo Paes Washington Luiz Da Silva Marinaldo Santos Silva Edson Patrício Leôncio Joelson De Souza Da Conceição Samuel Gonçalves Da Silva Danilo Duarte Torres Dalmo Souza Vieira Leonardo Do Espírito Santos Alves Luciano De Jesus Oliveira Jorge Fábio Rodrigues Gilberto Gonçalves Bastos Filho Cláudio Antônio De Paula André Luiz Silvestre Theodoro Luiz Claudio Perdigão Flávio Wayne Cristobal Lourenzo Marcio Campos Continuidade Glaucia Pelliccione Carla Carrete Karen Marmello Equipe de internet Ana Bueno Bianca Kleinpaul Bruno Martins Rafael Maia Mariana Santos Ligia Andrade Fabíola Schwob Gabriela Duarte Claudia Castilho Eduardo Belo Juliana Saboya Fabricio Bianchi Francisco Couto Rodrigo Abreu Assistentes de direção Carla Böhler Antonio Karnewale Bernardo Sá Produção de engenharia Ilton Caruso Equipe de produção Vanessa Marques Manuela Estrella Nayana Gouveia Rodrigo Riff Fabio Conceição Manuela Piame Thalita Ximenes Chico Marinho Supervisão executiva de produção William Barreto Allexia Galvão Supervisão executiva de produção de linha Lucas Zardo Produção executiva direção Maristela Velloso

* RECORDANDO os que construíram o “PEDACINHO :

Teuda Bara e Inês Peixoto: grandiosas atrizes egressas do Grupo Galpão…

O diretor Luiz Fernando Carvalho e o autor Benedito Ruy Barbosa com as crianças moradoras da Vila de Santa Fé…

Bauraqui

Flavio Bauraqui e o inesquecível ‘Rodapé’ – foto Anderson Dias…

equipe MP

Roniere Souza e Anderson Dias na equipe de construção cenográfica…

Mi e o viola

Myriam Mendes e a viola enamorada do Viramundo

Meu Pedacinho de Chão: a novela ‘naif’ que encanta com beleza e grandes atuações

No horário das 18h, novela é um mergulho num universo lúdico, idealizado por Luis Fernando Carvalho, Raimundo Rodriguez e uma equipe fenomenal !

pedacinho

Detalhe do cenário em imagem do artista Raimundo Rodriguez…

Assisti ao primeiro capítulo. O impacto positivo repercutiu nas redes. Mas mesmo com toda a beleza, achamos que a trama não emplacaria. Tudo é muito artístico, delicadamente inusitado, distante do universo real do telespectador. Com a marca do insólito e da inovação de linguagem que sempre acompanham os trabalhos de Luiz Fernando Carvalho, imaginamos que o público do horário não iria aderir ao folhetim com dramaturgia de Benedito Ruy Barbosa, ainda mais sendo uma estreia que acontecia com a incumbência de substituir a obra-prima que foi #JoiaRara, assinada com todo louvor e muitos méritos para a trinca de mulheres Duca Rachid, Thelma Guedes e Amora Mautner.

Bruna Linzmeyer empresta meiguice, ternura e um olhar emocionado e emocionante que faz da sua Professora Juliana já um grande Destaque da Teledramaturgia este ano !

Mas nós erramos o prognóstico. E que bom saber que erramos ! É uma Alegria poder constatar o quanto #MeuPedacinhodeChão vem tendo uma repercussão de muita empatia na audiência. Como estamos postando com frequência comentários sobre a novela em nossa página do Facebook, é fácil constatar que a novela ganhou o coração do público !

E não era pra menos: #MeuPedacinhodeChão é de uma beleza incomum. E só mesmo vendo pra entender como uma história tão simples, sem um pano de fundo forte ou empolgante, sem grandes conflitos nem paixões complicadas, sem grandes forças antagônicas, com tudo numa dimensão ‘artesanal’, encanta com persistência, sutilezas, detalhes sublimes e preciosismos artísticos.

fagundes

Antônio Fagundes é tão bom ator que é difícil lembrar que o Giácomo de hoje é o mesmo César de Amor à Vida…

Johnny Massaro impressiona como o romântico e justo Ferdinando…

Essas sutilezas, detalhes sublimes e preciosismos artísticos que fazem de #MeuPedacinhodeChão o melhor exemplar de novela ‘Naif” da televisão existem porque existe um trabalho coletivo notável, para o qual soma um trabalho de ‘formiguinha’ de toda uma equipe de talento invejável, dedicada, apaixonada e empenhada em dar o melhor de si para transformar em encanto e valor artístico uma obra que já é um importante trunfo teledramatúrgico deste 2014 que avança em seu primeiro semestre.

Monstros sagrados: aplausos para Emiliano Queiroz, o Padre Santo, e Ricardo Blat, o prefeito de Santa Fé…

Flávio Bauraqui é unanimidade: Rodapé é criação primorosa e momento ímpar de atuação !

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Bruna Linzmeyer cativa fazendo uma professora que exala bondade, afeto e muita generosidade com o próximo !

Paula Barbosa em atuação destacada como a enigmática Gina…

igrejinha

O majestoso cenário de #MeuPedacinhodeChão, criação do artista Raimundo Rodriguez, que também assina a foto…

A TV Globo é já a televisão que melhor produz telenovelas no mundo. E não é pra menos: a excelência que permeia as obras veiculadas pela emissora é admirável, profícua e com bem vindas ondas de constância e permanência. Nós assistimos às novelas e inúmeros programas produzidos pela emissora e nos impressionamos, cada vez mais, com o nível de qualidade apresentado. Merece a audiência e o público cativo que conquistou ao longo de décadas.

cenário RR

Em #MeuPedacinhodeChão esta excelência se verifica desde a elaboradíssima criação dos cenários até a delicada beleza que assoma em maquilagens, figurinos e adereços. Entre uns e outros, figura um naipe extraordinário de atores e atrizes que nos fazem ver a novela e acreditar que ninguém mais faria tão bem os insólitos personagens de #MeuPedacinhodeChão.

O excepcional Irandhir Santos: ator já bastante premiado no cinema, conquista o país com o doce e ‘valente’ Zelão, personagem que ficará marcado no coração do público de #MeuPedacinhodeChão…

Cada um dos intérpretes que os vivem na telinha, merece um comentário entusiasta ! Estão todos esbanjando talento, vigor artístico e consciência do ofício ! É impressionante o nível de Interpretação a que chegamos no Brasil. Isto sim é motivo para nos orgulharmos deste País: nossos Artistas – criadores nas mais diversas áreas – são sim Motivo de Orgulho e merecem Aplausos Calorosos de seus conterrâneos !

Inês Peixoto e Bruna Linzmeyer: moradoras de Santa Fé

De cenógrafos a iluminadores, de figurinistas a maquiladores, de fotógrafos a músicos, de atores de todas as idades e formações a roteiristas e diretores de arte de indubitável qualificação, os Artistas que constroem #MeuPedacinhodeChão são notáveis, e, mesmo já sabendo disso, nos surpreendemos a cada capítulo com novas e poderosas marcas desse preciosismo artístico.

Juliana Paes alcança com Catarina seu melhor momento na telinha…

Neste post, vamos citar apenas alguns destes profissionais, mas a equipe é enorme e todos os que dela fazem parte merecem, sem exceção, o emocionado #AplausoBlogAuroradeCinema !

Irandhir Santos, Osmar Prado, Bruna Linzmeyer, Flávio Bauraqui, Juliana Paes, Johnny Massaro, Dani Ornellas, Ricardo Blat, Emiliano Queiroz, Antônio Fagundes, Teuda Bara, Paula Barbosa, Inês Peixoto, Bruno Fagundes, Cintia Dicker, Fernando Sampaio, Raul Barreto, Letícia Almeida, Alex Brasil, Evandro Melo, Alice Coelho, e as crianças Tomás Sampaio, Geytsa Garcia, e Kaue Ribeiro de Souza  estão absolutamente fantásticos. Cada um compôs com um vigor impressionante e um talento inconteste um personagem marcante, para os quais não conseguimos vislumbrar nenhum outro que pudesse substituí-los. E quando um Ator nos faz esquecer que, por trás de um Personagem, existe um trabalho altamente elaborado, tecido em muitas e generosas camadas de sensibilidade, frutos de mergulhos (às vezes dolorosos) sempre profundos na própria essência de seu self, aí sim ele alcança a transfiguração. E dessa forma nos faz embarcar, de forma sutil e avassaladoramente poderosa, no outro ‘Eu’ ao qual consegue fazer viver com tanta propriedade no nosso arcabouço sensório que passamos a torcer por ele, contra ou favor.

Osmar Prado tem atuação de excelência como o malvado Coronel Epa…

São filigranas de emoção que os atores conseguem construir e depois entregam, a nós telespectadores, com uma generosidade tão absoluta, que não há como fugir de uma outra dimensão, a TeleDimensão de que nos falava o mestre Artur da Távola, à qual aderimos sem esforço e com muito prazer !

castelos

Portanto, neste primeiro post do #BlogAuroradeCinema sobre a novela #MeuPedacinhodeChão, nossa reverência à equipe comandada por Luís Fernando Carvalho, que conta com um time poderosamente excelente onde estão, além dele, os diretores Pedro Freire, Henrique Sauer e Carlos Araújo;
o artista plástico Raimundo Rodriguez na criação dos cenários; Rubens Libório na caracterização; Irla Souza, Renato Muniz, Marco Salles e Dionisio Ferreira na eloquente sonoplastia; os incríveis efeitos visuais de Rafael Ambrosio; Myriam Mendes na produção de Arte; Renata Luciana entre as criadoras de seu belo e original figurino; o grande músico Tim Rescala assinando a produção musical; e um naipe de instrutores de Dramaturgia onde figuram Renata Franceschi e Renata Soffredini, além de Márcia Andrade na produção de elenco.

A mineira Teuda Bara, egressa do Grupo Galpão, dá show de atuação com sua querida Mãe Benta

Dani e Renata Luciana

Renata Luciana, uma das criadoras do insólito figurino, e a atriz Dani Ornellas, que faz com maestria a Amância, funcionária do Coronel Epa...

A todos, com profunda admiração, o efusivo #AplausoBlogAuroradeCinema !

#MeuPedacinhodeChão pode ser considerada a primeira telenovela assumidamente Naif* do Brasil ! Saravá !!!

Johnny Massaro está um colosso como o libertário e romântico Ferdinando…

* NAIF aqui considerada como a Arte da Espontaneidade, da criatividade primordial, cuja fonte prioritária de inspiração  nasce da iconografia popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos, e outras assemelhadas. Jamais no sentido de falta de escolarização, orientação ou formação sistemática. Até porque, para nos dar a impressão da ‘ingenuidade’ que permeia e perpassa as obras consideradas ‘naifs’, é preciso um rigoroso estudo das sutilezas e dos meandros artísticos e técnicos por parte de todos aqueles que constroem juntos #MeuPedacinhodeChão, seja da parte do elenco ou da enorme e laboriosa equipe técnica.

Geytsa Garcia e Tomás Sampaio: Pituca e Serelepe são encantadores e os atores são duas revelações maravilhosas !

PARABÉNS, portanto, a todos que contribuem de forma decisiva para a excelência da telenovela #MeuPedacinhodeChão !

FICHA TÉCNICA OFICIAL #MeuPedacinhodeChão

Escrita por
Benedito Ruy Barbosa

Colaboração
Edilene Barbosa
Marcos Barbosa De Bernardo

Direção
Henrique Sauer
Pedro Freire

Direção geral 
Luiz Fernando Carvalho
Carlos Araujo

Direção de núcleo
Luiz Fernando Carvalho

Elenco de apoio
Antonio Alves
Dida Camero
Rosa Iranzo
Lucianna Magalhães
Wladimir Pinheiro
Bel Belloni
Ignácio Aldunate
Darília Oliveira
Lucas Pinheiro
Leandro Vieira

Crianças de apoio
Esthefanny Oliveira
Jenny Flores
Kaik Brum
Leonardo Marchetti

Autorização especial
SATED RJ

Cenografia 
Keller Veiga
Tadeu Catharino
Wilson Lara
Cristina De Lamare

Cenógrafos assistentes
Danielly Ramos
Mariana Villas Boas
Rodrigo Figueiredo
Fabricio Palermo
Roberto Villar
Regina Paulino

Figurino
Thanara Schönardie

Figurinistas assistentes
Patrícia Barbeitas
Daniella Lima
Deborah Kasper
Fernanda Moraes
Luciana Morrissy
Renata Luciana Dos Santos

Contra-mestre
Maria Madalena de Oliveira Silva

Equipe de apoio ao figurino 
Alex Sena
Alicia Ferraz
Carolina Lannes
Cláudio Luciano
Cristiane Peçanha
Daniel Cavalcanti
Dirley Souza
Elijanite Marinho
Eni Dos Santos
Fábia Jane Dos Santos
Heliana Conceição
Helson Gomes
José Luiz De Melo
Leonardo Ramos
Lisandra Miguel
Maria José Gomes
Markoz Vieira
Marlene Alves
Robson Salomão
Rosa Corrêa

Direção de fotografia
Jose Tadeu

Direção de iluminação
Alexandre Fructuoso
Gustavo Lacerda

Gaffer
Fábio Conceição

Equipe de iluminação
Marcio Ribeiro Pinto
Juan Carlos Fructuoso
Carlos Eduardo Gomes
Luiz Leonard Ferreira De Souza
Leandro Nogueira Finamore
Guilherme Martinho Ribeiro Araujo
Leandro Ramos Santos
Maicon Carlos Matias De Lima
Luiz Alberto Silva Freitas
Carla Do Espirito Santo Barbosa
Anderson Gonçalves
Weslley Teixeira

Artista plástico
Raimundo Rodriguez

Produção de arte assistente
Luisa Gomes Cardoso
Deborah Badaue
Sabrina Travençolo
Anderson Dias
Marcos Mariano

Produção de arte
Marco Cortez

Produção de arte assistente
Carolina Pierazzo
Daniela Wiemer
Helenita Gontijo
Myriam Mendes

Equipe de apoio à arte
Jose Marcos
Thiago Leal
Marco Aurélio De Carvalho
Washington De Oliveira
Adenilson Ligiero
Luiz Alberto Da Silva
Carolina Gomes
Maria Do Rosário Soares

Produção de elenco
Márcia Andrade

Instrutores de dramaturgia
Agnes Moço
Lúcia Cordeiro
Renata Franceschi
Renata Soffredini
Tiche Vianna
Mareliz Rodrigues
Antonio Karnewale

Produção musical
Tim Rescala

Direção musical
Mariozinho Rocha

Música
Tim Rescala

Música adicional
Devotchka

Caracterização
Rubens Liborio

Equipe de apoio à caracterização
Rosemeire Santos
Marinez Rodrigues
Thais Nunes
Paula Ines Da Costa
Sheila Reis
Andrea Adad
Julice De Paula
Rita Souza
Leticia Biazzi
Adelma Calixto
Viviane Ribas
Lucimar Almeida

Edição
Iury Pinto
Carlos Eduardo Kerr
Alberto Gouvea
Alamyr Andrade
Paulo Jorge
Marcia Watzl

Colorista
Wagner Costa

Sonoplastia
Irla Souza
Renato Muniz
Marco Salles
Dionisio Ferreira

Efeitos visuais
Rafael Ambrosio

Videografismo
Marcelo Nicácio
Thiago Santoro
Antônio Carlos Gonçalves
Eduardo Salles
Caio Licio
Igor Lementy
Pedro Vicente
Leonardo Lino

Ilustrador 
Beto Campos

Efeitos especiais
Ricardo Menezes

Abertura
Alexandre Pit Ribeiro
Alexandre Romano

Direção de animação
Cesar Coelho

Direção de imagem
Willians Rodrigues Dias

Câmeras
Murillo Azevedo
Leandro Pagliario
Thelso Gaertner
Tito Livio
Marcello Motta
Cristiano Barroso

Equipe de apoio à op. de câmera
Zaify Da Silva Sampaio
Fabiano Pereira Da Silva
Rafael Rodrigues Dos Santos
Jairo Dias Baptista
Felipe Lopes De Miranda

Equipe de vídeo
Dreverson Marcio Kazik
Gilberto Dos Santos Martins
Filippe Esteves Bastos

Equipe de áudio
Paulo Roberto
Bernardo Coutinho Amorim
Pablo Mendonça Da Rocha
Evandro Sardinha
Fagner Leonel Dos Santos
Ricardo Knupp
Orlando Da Anuciação Barros
Diego Maia

Supervisor e op. sistemas
Ricardo Luna
André Almeida
Rodrigo Siervi
Gabriel Eskenazi
Dannyo Escobar
Adelto Santos

Maquinista 
Valdemir Cesar

Gerente de projetos 
Alexandre Gama
Produção de cenografia
Dalmo Meireles

Supervisor de produção de cenografia
Ronaldo Buiú
Lucas Avenoso
Fabio Silva Geraldo
Mauro Silveira
Miria Mathias Santos

Equipe de cenotécnica
Wanda Maria Guimarães
André Luiz Santos
Oswaldo José Da Silva
José Marcos Alves Da Silva
Thiago Leal
Anderson Rollemberg Pedro
Antônio Marcos De Oliveira Poubel
Arilson Garrido Siqueira
Carlos Renato Cardoso Ferreira
Cláudio Rosa Conceição
Renato Souza Almeida
Wagner De Paula Carneiro
Luiz Carlos Da Silva
Jorge Luiz Araújo Paes
Washington Luiz Da Silva
Marinaldo Santos Silva
Edson Patrício Leôncio
Joelson De Souza Da Conceição
Samuel Gonçalves Da Silva
Danilo Duarte Torres
Dalmo Souza Vieira
Leonardo Do Espírito Santos Alves
Luciano De Jesus Oliveira
Jorge Fábio Rodrigues
Gilberto Gonçalves Bastos Filho
Cláudio Antônio De Paula
André Luiz Silvestre Theodoro
Luiz Claudio Perdigão
Flávio Wayne
Cristobal Lourenzo
Marcio Campos

Continuidade
Glaucia Pelliccione
Carla Carrete
Karen Marmello

Equipe de internet
Ana Bueno
Bianca Kleinpaul
Bruno Martins
Rafael Maia
Mariana Santos
Ligia Andrade
Fabíola Schwob
Gabriela Duarte
Claudia Castilho
Eduardo Belo
Juliana Saboya
Fabricio Bianchi
Francisco Couto
Rodrigo Abreu

Assistentes de direção
Carla Böhler
Antonio Karnewale
Bernardo Sá

Produção de engenharia
Ilton Caruso

Equipe de produção
Vanessa Marques
Manuela Estrella
Nayana Gouveia
Rodrigo Riff
Fabio Conceição
Manuela Piame
Thalita Ximenes
Chico Marinho

Supervisão executiva de produção
William Barreto
Allexia Galvão

Supervisão executiva de produção de linha
Lucas Zardo

Produção executiva
direção

Maristela Velloso

cenário Pedacin

#MeuPedacinhodeChão: telenovela é um prodígio em cenários, figurinos, direção de arte, maquilagem, fotografia, trilha e atuação !