Arquivo da tag: Jack Kerouac

Walter Salles: “A Palma de Ouro é como entrar no estádio do Camp Nou para jogar contra o Barcelona”

“Vou de peito aberto, sem esperar nenhum prêmio”, diz WALTER SALLES sobre a disputa pela Palma de Ouro

Na edição de ÉPOCA desta semana, Ruth Aquino conversa com Walter Salles, em Paris, sobre seu último (e polêmico) filme, Na Estrada. A produção concorre à premiação máxima do Festival de Cannes, a cobiçada Palma de Ouro: “Vou de peito aberto, sem esperar nenhum prêmio. Competir em Cannes é como entrar no estádio de Camp Nou, na Espanha, para jogar contra o Barcelona”, diz o cineasta.

 

Para levar o tema às telas, Walter Salles adaptou a história de Pé na Estrada, clássico do poeta Jack Kerouac, que relata uma viagem de travessia dos EUA, feita por dois jovens da geração beat – considerada ícone da contracultura e da transgressão.  Kerouac era um ideólogo da liberdade a todo custo e, por isso, tanto o romance quanto o filme, polemizam por tratarem o sexo de forma aberta e as drogas como um meio para a ampliação dos sentidos e do autoconhecimento. 

Quanto ao que levou o diretor a se tornar cineasta, ele explica que foi o fato de sempre ter se encantado pelas narrativas das estradas, o que são o tema das produções de Central do Brasil, Diários de Motocicleta e agora de Na estrada, todas dirigidas por ele: “O filme que me trouxe para o cinema foi Passageiro: profissão repórter, de Antonioni, com Jack Nicholson no papel de David Locke.”, conta.

Beleza extrema, sensibilidade, educação, inteligência: Walter Salles nasceu merecendo a Palma de Ouro

Outro ponto abordado na entrevista foi o objetivo de se fazer cinema. Usando a máxima do colega de profissão, Manoel de Oliveira, ´A cultura é aquilo que sobra quando todo o resto acabou’, Walter Salles diz: “Não importa como você deixa esse testemunho. (…) O importante é que seja uma tradução de sua inquietação.”

Palma de Ouro: Walter Salles e Nelson Pereira dos Santos em Cannes

Com o novo filme, Na estrada, diretor vai competir com David Cronenberg e Ken Loach.

O festejado cineasta brasileiro Walter Salles, com o filme Na estrada, disputará a Palma de Ouro do 65º Festival de Cannes, que começa dia 16 de maio.

Na estrada tem no elenco Sam Riley, que dá vida ao alter ego de Jack Kerouac, Garret Hedlun, que encarna Dean Moriarty, inspirado no escritor Neal Cassady, Kristen Stewart (a estrela da saga “Crepúsculo”), que interpreta a esposa de Moriarty, Kirsten Dunst e Viggo Mortensen.

Criador de Terra Estrangeira, Central do BrasilAbril DespedaçadoDiários de motocicleta, Walter Salles é um colecionador de prêmios mundo afora:  venceu o Urso de Ouro em Berlim e acumula diversas outras estatuetas. Na Estrada começou a ser rodado em 2010, inspirado no clássico beatnik “Pé na estrada” (“On the road”). A adaptação do livro de Kerouac relata uma viagem pelos Estados Unidos no fim dos anos 40, repleta de drogas, sexo, álcool e aventuras.

Walter Salles já tinha experiência com um road movie, pois retratou a viagem do jovem médico Erneto Che Guevara pela América Latina em “Diários de motocicleta”, também exibido em Cannes, em 2004.

O cineasta Francis Ford Coppola (“O Poderoso chefão”, “Apocalypse Now”) comprou os direitos do livro de Kerouac em 1979 e tentou diversas vezes filmar a obra, que definiu a geração beat dos Estados Unidos, mas o projeto nunca encontrava financiamento. Depois de assistir Diários de motocicleta, Coppola escolheu Walter Salles para dirigir o filme.

O roteirista de Na estrada é o portorriquenho José Rivera, que trabalhou com Salles em “Diarios de Motocicleta”.

O diretor brasileiro Walter Salles e o ator Viggo Mortensen conversam no set do longa 'Na estrada' (Foto: Divulgação)
Walter Salles e o ator Viggo Mortensen conversam no set de ‘Na estrada’ (Foto: Divulgação)

Além do filme de Walter Salles, o cinema do Brasil será o convidado de honra do 65º Festival de Cannes, anunciaram os organizadores do evento.

O filme mais recente de Nelson Pereira dos Santos, A música segundo Tom Jobim, será exibido em sessão especial, como parte da presença de honra brasileira no Festival.

Outro cineasta latino-americano, o mexicano Carlos Reygadas, também disputará a Palma de Ouro, com o filme “Post tenebras lux”.

Entre os 20 filmes que integram a mostra principal do maior festival de cinema do mundo, estão “Like someone in love”, do iraniano Abbas Kiarostami, “Cosmopolis”, do canadense David Cronenberg e com o astro do momento Robert Pattinson, e “Mud”, do americano Jeff Nichols, assim como “Amour”, do austríaco Michael Hanek.

Ator Viggo Mortensen em cena do filme 'Na estrada' (Foto: Divulgação)
Ator Viggo Mortensen em cena do filme ‘Na estrada’
(Foto: Divulgação)

O britânico Ken Loach, que já apresentou 16 filmes em diversas mostras de Cannes, competirá pela Palma de Ouro com “The angel’s share”.

A Itália estará presente com “Big house” de Matteo Garrone, que foi premiado em Cannes em 2008 com “Gomorra”. O presidente do júri da mostra oficial, Nanni Moretti, pode ser sensível ao tema do longa-metragem: a televisão italiana sob Berlusconi.

Três filmes franceses também foram selecionados: “Vous n’avez encore rien vu”, de Alain Renais, “De rouille et d’os”, de Jacques Audiardy, e “Holly motors”, de Leos Carax .

Walter Salles: mais uma vez no Festival de Cannes…

O filme de Wes Anderson “Moonrise kingdom” (Edward Norton, Bruce Willis, Bill Murray, Frances McDormand e Tilda Swinton) abrirá o Festival, onde será exibido fora de concurso o filme de animação “Madagascar 3″”.

Entre os atores esperados na Riviera estão Nicole Kidman, Brad Pitt e a francesa Marion Cotillard.

“Thérèse Desqueyroux”, que o francês Claude Miller concluiu pouco antes da morte, no início de abril, encerrará o festival, dia 27 de maio.

Walter Salles: Documentar Cinema com Verdade e Coragem

É preciso coragem, determinação, visão de amplo espectro, consciência precisa do seu ofício e muita ousadia, criatividade e competência para fazer o que vem fazendo Walter Salles há anos por um Cinema altivo, verdadeiro, vigoroso.

Isso fica patente, sobretudo, com o que acaba de fazer o querido cineasta carioca por ocasião da homenagem recebida no festival de São Francisco.

Confira o texto de CRISTINA FIBE:

Walter Salles espera um “milagre” para que o seu anunciado longa de ficção baseado em On the Road (traduzido no Brasil como “Pé na Estrada”), de Jack Kerouac, se realize.

O cineasta, convidado em 2004 para abraçar um projeto que diretores como Gus van Sant e Jean-Luc Godard não conseguiram levar adiante, já não sabe se ele se concretizará. O brasileiro havia sido escolhido para a tarefa por Francis Ford Coppola, que detém os direitos da obra para o cinema desde 1979, mas que tampouco concluiu o próprio projeto de dirigir a adaptação.

  Divulgação  
O diretor Walter Salles (o segundo da esquerda para a direita), em cena do documentário inacabado "À Procura de 'On the Road'", em que refaz viagem do livro
Walter Salles (segundo da esq. para a dir.), em cena do inacabado “À Procura de ‘On the Road'”, em que refaz viagem do livro

Em San Francisco nesta semana para receber uma homenagem pelo conjunto da obra no principal festival de cinema da cidade, Walter Salles reclamou das dificuldades para realizar uma produção independente como essa –um “road movie” com locações espalhadas pelos Estados Unidos– no país onde o livro, lançado em 1957, guarda o maior número de adoradores.

“Esse filme tem uma história de 50 anos de tentativas. É um pouco um filme Sísifo, em que você nunca tem a certeza de que vai conseguir levar a pedra lá para cima”, disse o diretor, em conversa com a Folha.

Por isso mesmo, considerou um “suicídio” a viagem à Califórnia, onde exibiu a outra metade do projeto, um documentário ainda não finalizado que registra a “busca por um filme possível” chamado À Procura de ‘On the Road’.

Walter Salles refez a viagem registrada no livro, de costa à costa. Visitou endereços pelos quais Kerouac (1922-1969) passou, entrevistou personagens da geração beatnik ainda vivos ou por ela influenciados.

“Mostrar um filme incompleto sobre Kerouac, a geração beat e ‘On the Road’ em San Francisco é como mostrar um filme incompleto sobre o cinema neorrealista em Roma ou uma obra em andamento sobre a nouvelle vague no Festival de Cannes”, comparou.

O “trabalho em progresso” de Walter Salles foi editado em uma semana, diz, e não deve voltar a ser exibido. Foi uma maneira de “agradecer ao festival [pelo prêmio] e também de me permitir voltar ao material”.

Timidez

Os trechos projetados na última quarta-feira, no Festival de Cinema de San Francisco, incluem imagens de arquivo de Kerouac depois de ser atirado à fama com a publicação de “On the Road”.

Na TV, o escritor não consegue disfarçar a timidez enquanto conta que datilografou em três semanas as histórias de suas viagens, que duraram sete anos, em um rolo único de papel. “Eu demorei sete anos para escrever sobre uma viagem de três semanas”, brinca o apresentador. Kerouac fica ainda mais constrangido.

“Ele não sabia como lidar com essa adoração”, conta o empresário do escritor à época, Sterling Lord. “No segundo dia de entrevistas [para divulgar o livro], ele não apareceu.” E não era culpa das drogas. “Ele estava atormentado [com a atenção à sua volta].”

Em meio aos depoimentos, Walter Salles se pergunta como deve ser um filme de ficção baseado em On the Road. Estão lá para responder figuras como Sean Penn, Wim Wenders, Peter Coyote e Johnny Depp.

“Todos temos o filme nas nossas cabeças. Se um dia ele vai corresponder [às expectativas], eu não sei”, afirma Depp.

Em uma hora de documentário, Walter Salles parece concordar que se trata de um projeto sagrado, mas que ainda se arrisca a colocar em prática.

“O projeto de ficção é um ponto de interrogação. Hoje, olhando pragmaticamente, a crise do cinema independente de 2009 começa a ficar um pouco menos grave, então é possível que isso permita que o filme exista”, diz o cineasta.

“Senão, a busca já terá justificado, já se tornou para mim um fim em si. Se o filme de ficção não acontecer, esse foi um processo de aprendizado tão fértil e interessante que eu já não sentiria dor por isso.”

Walter Salles afirma decidir até o fim do ano se a ficção acontecerá. Enquanto isso, continua “mergulhado no processo de busca de um filme possível”. “A idéia é exaurir essa procura até eu conseguir saber se o filme merece existir ou não.”

WALTER SALLES: Homenagem na Califórnia

 

Walter Salles recebe amanhã, 29, o Director’s Award do San Francisco Film Festival, outorgado anualmente a um diretor pelo conjunto da sua obra. No passado, cineastas como Akira Kurosawa, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Gus Van Sant receberam a homenagem. 

Antes da premiação, Walter Salles participa de uma conversa no palco com o diretor mexicano Alejandro Iñárritu. Em seguida, o prêmio será entregue por Roman Coppola.

Na mesma noite, Walter Salles mostrará trechos do documentário que está preparando sobre Jack Kerouac e seu livro On the Road. O San Francisco Film Festival também homenageará este ano o ator Robert Duvall e o roteirista e distribuidor James Schamus

Walter Salles com Daniela Thomas e os atores de LINHA DE PASSE: mais uma homenagem internacional

Na sexta, 30 de abril, Walter Salles dará um Master Class para estudantes de cinema e apresentará seu mais recente longa, o belo e premiado Linha de Passe em Berkeley, Califórnia.

VIVA WALTER SALLES !, Cineasta que cativa pela generosidade, doçura e elegância, e encanta pelas belas obras

WALTER SALLES em Nova Direção

Cineasta Walter Salles pode ser o responsável pela transposição para as telas do livro On The Road, do escritor Jack Kerouac. Os direitos foram comprados no anos 70 por Francis Ford Coppola mas o projeto nunca andou.

Segundo o Production Weekly, o norte-americano já confirmou os atores Garret Hedlund (Tron Legacy) e Sam Riley no elenco. Se as previsões se confirmarem, os dois serão os protagonistas que contarão a história de uma viagem feita por Kerouac nos anos 40 e 50.

Após as filmagens de Diários de Motocicleta, Walter Salles foi contratado para tocar o projeto. Além dele, José Rivera (indicado ao Oscar pelo mesmo filme) foi responsável pela adaptação para o cinema.

Previsão é de que o filme chegue aos cinemas em 2011.